As perspectivas não são muito
boas, a cada dia a baixa vazão do Lago de Sobradinho cria uma expectativa
negativa para a enfrentamento da seca na região São Francisco. Já que a
Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) estima que seja a maior seca
dos últimos 84 anos, tempo em que a Companhia está instalada na região.
Atualmente, a
prioridade não é mais a geração de energia elétrica e sim o abastecimento
humano desta energia, explicou o superintendente de Operação da Companhia da
Chesf, João Henrique Franklin.
De acordo com ele, a
empresa está praticando com vazão de 900m³/s autorizado pelo Ibama e pela
Agência Nacional de Águas (ANA), e a partir de Sobradinho, o Operador Nacional
do Sistema Elétrico (ONS) já recomendou reduzir a vazão para 800m³/s. “O
sistema elétrico brasileiro tem outras fontes de suprimentos, como usinas
térmicas e eólicas que minimizam a geração de natureza hidroelétrica,
garantindo o atendimento para todos os consumidores da região Nordeste”,
explica Franklin. Ainda segundo ele, a operação de redução gradativa de saída
da vazão de Sobradinho é necessária. “O sentido é maximizar o nível do
reservatório para assegurar o atendimento aos usuários”.
O superintendente também
assegura que não há risco de racionamento ou apagão. “Nossa preocupação agora
não é com a energia elétrica, mas de manter o máximo do reservatório por conta
dos irrigantes, e especialmente do abastecimento humano”, disse, acrescentando
que os parques de energias eólicas e térmicas hoje instaladas no Nordeste dão
essa garantia. “Para quem vive das águas do são francisco, como os pescadores,
eles não saberão identificar se água está passando pelo gerador ou pelas
comportas, então vamos utilizar o volume de água que é bastante significativo
abaixo do 0% (34 bilhões m³/s e abaixo tem 6 bilhões m³/s) o que permite a
geração de energia e a vazão do lago até a Foz do São Francisco”, explica.
Volume Morto: Com a perspectiva de
atingir 0% do volume útil, ou seja, volume morto, a geração de energia na usina
de Sobradinho será suspensa. Mas segundo Franklin, o empreendimento permite que
mesmo com comportas fechadas, sem a passagem de água, com as turbinas
desligadas e sem a geração de energia, o curso natural do rio seja mantido.
Chuva na Bacia: Apesar das fortes
chuvas em Minhas Gerais, elas não atingiram a nascente do rio, o que
impossibilitou a chegada de água na região e consequentemente o aumento do
nível d’água. “As chuvas não surtiram o efeito desejado na Bacia do São
Francisco”, reforça Franklin.
Dança da Chuva: A esperança é a
chegada das chuvas. De acordo com Franklin outras situações críticas já
ocorreram ao longo dos 84 anos e as chuvas escassas, mas aguardadas com
ansiedade, chegaram à região. “No início da década de 70, tivemos uma grande
seca, em 2000 e 2001, outra grande seca, agora esse ciclo hidrológico
desfavorável, porém isso é cíclico em 2006 e 2007 tivemos bastante chuvas na
Bacia, com vazões bastante elevadas. O que a gente espera é que a natureza
repita esses 84 anos que acompanhamos em breve tenhamos uma situação mais
favorável em termos de chuvas e de níveis nos reservatórios do São Francisco”,
pontua Franklin. (Via: Mônia Ramos)
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