O ex-delegado da Polícia Federal e ex-deputado Protógenes Queiroz pede asilo
político na Suíça, alegando que sua vida "corre risco" por conta de
seu trabalho como delegado investigando a corrupção. Seu dossiê foi aceito
ontem (06) às autoridades que passarão avaliar o processo. Numa longa
entrevista concedida ao jornal Sept, da Suíça, ele conta que se exilou já em
outubro, ao viajar para o país para uma conferência em Genebra. "Eu me
sinto em casa aqui", disse.
Segundo o delegado, se ele voltar será "executado".
"Minha vida está em jogo", disse. "Eu detenho muitos
segredos", insistiu. "A Justiça do meu país decidiu retirar a
proteção que eu tinha quando era policial. Decidi buscar a segurança aqui na
Suíça”, explicou.
Em outubro de 2015, o governo demitiu Protógenes da PF por
transgressões disciplinares. Ele foi alvo de uma ação criminal na Justiça
Federal em São Paulo e acabou condenado a dois anos e seis meses de prisão por
quebra de sigilo funcional ao promover o vazamento de dados do inquérito da
Operação Satiagraha, que terminou anulada.
Apresentando-se como alguém que lutou contra a corrupção desde
1999, ele é qualificado pelo jornal suíço como "uma espécie de Eliot Ness
contemporâneo" e " incorruptível ". Protógenes
admite que precisaria se apresentar à Justiça diante de uma condenação que
sofreu por abuso de poder. Mas ele alerta que "tem medo".
Eliot Ness foi um famoso agente federal americano que
aniquilou Al Capone, o poderoso contrabandista de bebidas que desafiou a lei
seca implantada a ferro e fogo na Chicago dos anos 1930. Ele virou herói no
filme Os Intocáveis, no papel do ator Kevin Costner. O jornal francês Le Monde,
já havia comparou o juiz federal Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, ao
agente.
Protógenes também afirma ter colaborado com a Operação Lava
Jato. "Minha participação foi muito discreta", explicou, contando que
isso ocorreu por conta de suas atividades de investigação anteriores. O
ex-deputado acusa o "entorno da presidente Dilma Rousseff " ainda de
tê-lo afastado da investigação, no início de 2015. Para ele, a Lava Jato
corre o risco "de terminar como as anteriores, com a demissão de policiais
e talvez assassinatos". Na entrevista, ele garante que investigou Lula e
Dilma e que sua enquete "já apontava para o Panamá". Ele diz ainda
ter escapado de quatro atentados e uma de suas filhas foi sequestrada.
Satiagraha: A Satiagraha foi deflagrada na manhã de 8 de julho de 2008 e
sacudiu o País. Sob comando de Protógenes a PF prendeu o banqueiro Daniel
Dantas, do Opportunity, no Rio, além do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta
(1997/2000) por suspeita de envolvimento em um esquema de corrupção, lavagem de
dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha. Outro
alvo da missão espetacular foi o investidor Naji Nahas.
A Polícia Federal abriu inquérito para investigar a conduta do
delegado e concluiu que ele fez uso de grampos ilegais e mobilizou um grande
efetivo de arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) – que
trabalham para a Presidência da República e não para a PF. A Satiagraha acabou
anulada em 2011 pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
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