O alívio proporcionado pela
bandeira verde, que começou a operar este mês, pode não surtir tanto efeito na
conta dos pernambucanos, já a partir de maio.
Apesar de o ministro de Minas
e Energia, Eduardo Braga, garantir que o aumento das concessionárias será menor
ou equivalente à inflação, estipulada atualmente em 10,36%, o próximo reajuste
da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe), previsto para 29 de abril, pode
impactar o bolso dos consumidores e “mascarar” a benesse concedida pelo Governo
Federal.
Na análise do especialista do
setor elétrico, José Antônio Feijó, ao mesmo tempo em que há um tipo de queda,
existe, por outro lado, um aumento na conta de energia.
“Isso se deve ao modelo de
reajuste anual obrigatório. Esse incremento só deveria acontecer se a tarifa
vigente não proporcionasse equilíbrio econômico-financeiro da concessão à
distribuidora. Como uma empresa mostra lucro excelente e pede reposição para
equilibrar as contas? Mas não é culpa da Celpe, que tem direito de solicitar,
sim do modelo brasileiro“, explicou, destacando que, em cerca de dez anos, as
tarifas brasileiras passaram a ser uma das maiores do mundo.
“Para se ter ideia, era uma
das menores antes de 1995, quando se vigorava o modelo de serviço público, no
qual as tarifas eram fixadas a partir do custo mais a taxa de retorno do
capital investido, fixado entre 10% e 12%”, comentou.
Considerando que a Celpe
solicite o percentual equivalente aos custos com a inflação, o especialista
disse entender o percentual de reajuste. “Mas nos últimos anos, não têm sido
assim”, frisou. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) revelam
que a distribuidora aumentou suas tarifas significativamente. Ano passado, o
aumento médio foi de 11,25%, enquanto que, em 2014, foi de 15,99%.
Consultor em energia elétrica
da Lumina Energia, Antônio Teixeira esclareceu que os sucessivos aumentos foram
necessários para repor os custos das empresas com prejuízos acumulados nos
últimos três anos, devido à falta de energia contratada.
“Tiveram que comprar energia
mensalmente e, como faltou água nos reservatórios, a energia subiu muito,
sobretudo em função da geração térmica”, detalhou. Para o sócio da Prime
Energy, Mateus Tolentino, o fato de a redução da bandeira tarifária coincidir
com incremento anual da Celpe não é tão mau assim.
“Se os reservatórios não
tivessem recuperado o mínimo possível de água, haveria grande probabilidade de
os clientes contarem com os dois reajustes simultaneamente”, ponderou.
Tolentino afirmou ainda que o mercado espera uma alta mais sutil este ano.
“Como boa parte dos contratos está indexado ao IPCA, é possível que seja
somente um reajuste de adequação”, adiantou.
A Celpe esclareceu que iniciou
o processo de envio do conjunto de informações que irá subsidiar o cálculo
realizado pela Aneel. Pela atual metodologia, os impactos dos efeitos
climáticos na geração hidrológica serão considerados na aplicação das bandeiras
tarifárias.
Blog: O Povo com a Notícia
Via: Folha PE
