A Associação dos Delegados de
Polícia de Pernambuco (Adeppe) vem a público manifestar sua total oposição ao
projeto que autoriza a exploração de jogos de azar no país, de autoria do
Senador Ciro Nogueira.
É bem verdade que toda proibição
tende a gerar uma máfia. Foi assim nos Estados Unidos, com a implantação da lei
seca no início do século passado e é assim no Brasil, com o tráfico de drogas,
a pirataria, cigarro paraguaio e os caça níqueis. Mas será que a solução é
mesmo descriminalizar?
Em tempos de crise financeira e de completa ausência de criatividade econômica, fervilha no Senado a ideia insana de liberação dos jogos de azar, sob o viés quase único de se incrementar a arrecadação fiscal, com prospecções surreais que, na boca de alguns topetudos defensores da medida, já atingem a casa dos R$ 20 bilhões em pretensos impostos.
Em tempos de crise financeira e de completa ausência de criatividade econômica, fervilha no Senado a ideia insana de liberação dos jogos de azar, sob o viés quase único de se incrementar a arrecadação fiscal, com prospecções surreais que, na boca de alguns topetudos defensores da medida, já atingem a casa dos R$ 20 bilhões em pretensos impostos.
Ainda que esse valor pudesse
ser efetivamente apurado com um mínimo de segurança, apostar nessa roleta russa
seria dar ao crime organizado um salvo conduto, assinado e em branco. Sem a
legalização dos jogos de azar, o Brasil já ocupa a 76ª posição no ranking de
nações menos corruptas, segundo pesquisa realizada pela Transparency
Internacional, ONG alemã que monitora a corrupção no mundo, dividindo a
vergonhosa marca com países como Índia, Tunísia e Bósnia.
O esquema de desvio de
recursos públicos revelado pela Polícia Federal através da “Operação Lava Jato”
denuncia que o Brasil está muito distante de uma estrutura organizacional
mínima que permita que empresas formais explorem jogos de azar, onde lucro e
índice de acerto são dados completamente desconhecidos e manipuláveis e cujos
clientes não têm, por óbvio, o hábito de exigir nota fiscal.
Prato cheio para quem tem uma
atividade ilegal e precisa dar ao dinheiro sujo uma aparência de legalidade. Se
as polícias civis e federal já não dão conta de combater com eficiência a
lavagem de dinheiro decorrente das máfias existentes atualmente, o que dizer
quando a dos jogos de azar estiver institucionalizada?
Organizações internacionais se
instalarão no Brasil. O país se tornará a Disneylândia da corrupção, atraindo
as mais variadas instituições criminosas, estimuladas pela facilidade em
branquear seus recursos ilegais. Montantes outrora transportados em meias e
cuecas poderão circular livremente após o devido pagamento dos tributos. Será
um verdadeiro prêmio a quem obtém dinheiro sujo no país. E se não bastassem as
graves consequências no âmbito penal, a descriminalização dos jogos de azar
traria inevitavelmente outro problema não menos pernicioso: o vício. Jogadores
se tornam compulsivos com extrema facilidade.
Os idosos são os mais suscetíveis à jogatina. Solitários e com dinheiro certo de suas aposentadorias, os integrantes da boa idade vêem no cassino ou bingo uma das poucas distrações nesta fase da vida.
Os idosos são os mais suscetíveis à jogatina. Solitários e com dinheiro certo de suas aposentadorias, os integrantes da boa idade vêem no cassino ou bingo uma das poucas distrações nesta fase da vida.
A compulsividade pelos jogos é
semelhante a do álcool e das drogas, mas com um agravante, a tolerância social.
O problema é tão grave que levou a USP a criar, dentro do Hospital das
Clínicas, o ambulatório de jogo patológico. Sim, o jogo é uma doença, que está
prestes a ser disseminada, a depender da aprovação do parlamento brasileiro. O
processo de recuperação dos pacientes é análogo ao dos dependentes químicos. O
tratamento é longo e custa alto ao poder público, por isso a descriminalização
já preocupa os especialistas na área.
Mas no âmbito do Congresso, a
saúde pública parece não ser um aspecto importante a ser considerado nos
debates sobre a legalização dos jogos de azar. Até agora, nenhum especialista
da área médica foi convidado para debater os problemas relacionados ao tema,
estreitando-se a discussão a meros aspectos financeiros. A sociedade deve ficar
alerta a mais esse arranjo nocivo, fantasiado de solução de crise. O elevado
custo das consequências não justifica nem de longe os duvidosos benefícios.
Blog: O Povo com a Notícia
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