O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), usou sua conta oficial no Twitter nesta sexta-feira (5) para avaliar que, no Brasil, "demonizou-se o poder para apoderar-se dele”.
Mendes não citou nomes, mas o tweet foi concebido no dia seguinte ao ex-coordenador da Lava-Jato, Deltan Dallagnol, informar que pediria exoneração do Ministério Público Federal (MPF) para ingressar na carreira política partidária.
Dallagnol foi sondado pelo Podemos — mesmo partido que o ex-juiz Sergio Moro, outro nome da Lava Jato, se filiará na próxima quarta-feira (10).
Após abandonar a magistratura para assumir o ministério da Justiça do governo Jair Bolsonaro (sem partido) e trabalhar para o escritório de advocacia responsável por administrar a recuperação judicial da Odebrecht - um dos principais alvos da Lava Jato -, Moro pretende participar das eleições do ano que vem.
"Alerto há alguns anos para a politização da persecução penal. A seletividade, os métodos de investigações e vazamentos: tudo convergia para um propósito claro - e político, como hoje se revela. Demonizou-se o poder para apoderar-se dele. A receita estava pronta", escreveu Mendes.
Quando presidente da 2ª turma do STF, o ministro não poupou críticas ao trabalho de Moro e Dallagnol durante sua participação no julgamento do Habeas Corpus 164.493, impetrado pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e que tornou o ex-juiz - e ex-ministro de Bolsonaro - suspeito para julgar o petista.
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