O ex-ministro do STF Marco Aurélio Mello criticou nesta terça-feira (19/4) as falas de Lula sobre revogar a reforma trabalhista e sobre a possibilidade de regular os meios de comunicação. Mello emitiu as opiniões durante um debate promovido pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI).
O assunto foi trazido ao debate após o
professor Joaquim Falcão dizer que “os candidatos estão muito
receosos em tocar na questão da reforma trabalhista”.
“Penso que um candidato que se diz de um partido dos
trabalhadores já cogitou uma marcha à ré quanto à reforma implementada. Como
também cometeu um ato falho quando disse que nós, da classe média, temos mais
do que merecemos. Como também cometeu um ato falho quando cogitou o controle da
mídia. Como? Controlar a mídia? Só se quisermos ter no Brasil uma visão
totalitária, maior do que a que se diz que pode estar a reinar no cenário hoje
em dia”, respondeu o ex-ministro.
Posteriormente,
Mello tratou sobre a reabilitação dos direitos políticos de Lula, assegurada
após o STF ter anulado as condenações do ex-presidente na Operação Lava
Jato. “Tivemos um caso de processos findos em que se aceitou a
incompetência territorial do órgão julgador e se ressuscitou um candidato, quem
sabe, para fazer frente a uma candidatura à reeleição. Ressuscitou-se alguém
que já estava, inclusive, cumprindo pena”, afirmou.
Mello disse que, ao participar de um debate em 2017 na
Universidade de Coimbra, demonstrou preocupação com a eleição para o Planalto
de um deputado federal “que fizera a vida parlamentar batendo em minorias”, mas
ponderou que Bolsonaro “é o nosso presidente” e que cabe à população decidir
quem deve assumir o cargo nas eleições. “Ele foi diplomado para ser o chefe do
Executivo durante quatro anos e precisamos respeitar regras estabelecidas.”
O ex-ministro
afirmou que as crises entre Bolsonaro e o STF são fruto do
“estilo do presidente”. “Parece que gera crises para nadar, e penso que está
nadando de braçada, principalmente junto aos eleitores dele”, declarou.
Mello, por
fim, considerou que a ação movida contra o deputado bolsonarista Daniel Silveira é “algo muito sério” ao levar em
conta o direito à imunidade parlamentar. Silveira, que estava preso por dirigir ataques ao STF, está usando tornozeleira eletrônica como medida
cautelar definida pela Corte.
“Vejo, no processo
crime aludido ao deputado federal, um obstáculo muito sério de desrespeito à
imunidade, como, por exemplo, a tornozeleira que lhe foi imposta. Não foi como
pena, foi uma medida cautelar a um congressista. É difícil de conceber”,
declarou Mello. (Via: Metrópoles)
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