Preso desde 2002 e isolado em unidades de segurança máxima há quase 20 anos, Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, segue exercendo influência no Comando Vermelho. A informação consta em um relatório atualizado da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), que detalha o histórico prisional do detento mais famoso do sistema penitenciário federal.
Segundo o documento, mesmo submetido a medidas rigorosas de controle e isolamento, Beira-Mar ainda exerce o que é chamado de "liderança negativa" sobre outros presos. A influência, aponta o relatório, se manifesta por meio de apoio financeiro, custeio de despesas jurídicas e até assistência em questões de saúde para aliados dentro da facção.
De pioneiro a figura central
Beira-Mar foi o primeiro preso a ocupar uma cela no recém-inaugurado presídio federal de Catanduvas (PR), em 2006. Na época, permaneceu sozinho por cerca de quatro meses, até a chegada de detentos vindos de outros estados. Desde então, passou por várias das quatro unidades federais espalhadas pelo país, sempre sob medidas extremas de vigilância e restrição.
Apesar das barreiras impostas, relatórios de inteligência da própria Senappen apontam que, entre 2014 e 2016, quando estava na penitenciária de Porto Velho (RO), ele continuava envolvido em atividades criminosas. De acordo com os documentos, Beira-Mar teria utilizado familiares — inclusive advogados — para manter contatos externos e dar continuidade aos seus negócios ilícitos.

Resistência às medidas de contenção
Nos anos seguintes, mesmo com o endurecimento do regime e o aperfeiçoamento das tecnologias de monitoramento, os registros oficiais indicam que o preso continuava ativo. Em 2022, já na Penitenciária Federal de Campo Grande (MS), o relatório afirma que ele custeava advogados de outros detentos ligados ao Comando Vermelho e mantinha articulações com o mundo do crime fora das grades, por meio de visitas e interações autorizadas.
A atualização mais recente do documento, de 2023, reforça que Beira-Mar segue exercendo influência sobre os demais presos, ainda que o longo período de isolamento tenha provocado sinais de desgaste psicológico.

Governo nega falhas no sistema
Procurada, a Senappen afirmou em nota que todas as comunicações dentro do sistema penitenciário federal são rigorosamente monitoradas e autorizadas judicialmente. Segundo o órgão, as interações são acompanhadas em tempo real por policiais penais federais, com alto grau de treinamento e dentro dos parâmetros da Lei de Execução Penal.
“Não há qualquer comunicação que não seja monitorada dentro de uma penitenciária federal”, diz o comunicado da secretaria.
Apesar da negativa, os registros oficiais indicam que, mesmo sob vigilância extrema, Beira-Mar ainda exerce algum grau de influência dentro da maior facção criminosa do país — levantando dúvidas sobre os limites da contenção dentro do sistema penal mais rígido do Brasil.
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