O conteúdo armazenado no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro abriu uma nova frente de tensão entre investigação, política e Judiciário. Entre os arquivos analisados pela Polícia Federal (PF), há vídeos de orgias envolvendo deputados, alguns deles casados, segundo relatos de integrantes da comissão que teve acesso ao material. Parte desses políticos, segundo esses relatos, teria ligação com partidos do chamado Centrão e proximidade com o ex-banqueiro.
A repercussão desse tipo de conteúdo, sem relação direta com o objeto da apuração, levou o relator do caso, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a determinar sigilo sobre os dados e a abertura de investigação para apurar possível vazamento, além de ordenar a exclusão de arquivos ligados à vida privada.
A legislação é clara: o artigo 9º da Lei 9.296/1996 determina que conteúdos que não tenham valor probatório devem ser descartados por decisão judicial. Na prática, o que está em discussão é se houve extrapolação desse limite por parte da PF ao enviar o material.
Reportagens publicadas na imprensa indicam que mensagens e arquivos íntimos circularam amplamente nos últimos dias, expondo não apenas Vorcaro, mas também terceiros sem ligação com o caso.
A circulação dessas informações aumentou a pressão por controle de acesso aos dados. Diante disso, Mendonça determinou a suspensão do acesso ao material que estava armazenado em ambiente restrito no Senado, interrompendo inclusive o processo de indexação que permitiria buscas mais detalhadas por deputados e senadores.
Em nota, sustentam que conteúdos íntimos e até supostos diálogos com autoridades foram divulgados antes mesmo de a defesa ter acesso integral ao material, levantando suspeitas de edição ou retirada de contexto.
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