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terça-feira, 17 de março de 2026

PF vê “devolução de cachê” e cita Wesley Safadão em investigação contra deputado

Uma investigação da Polícia Federal aponta uma relação considerada suspeita entre o deputado federal Junior Mano (PSB-CE) e familiares do cantor Wesley Safadão. O relatório final do inquérito foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e indica possíveis irregularidades envolvendo o uso de aeronaves para fins eleitorais e pedidos de patrocínio com indícios de ilegalidade.

Segundo a apuração, o vínculo entre o parlamentar e a família do artista ultrapassaria relações pessoais, sugerindo atuação conjunta em interesses. Apesar disso, familiares de Safadão não foram indiciados. Já o deputado é apontado como suposto líder de uma organização criminosa e foi indiciado por quatro crimes. Ele nega irregularidades e afirma ser alvo de vazamentos com motivação política.

Atualmente, Junior Mano é pré-candidato ao Senado no Ceará, com apoio do senador Cid Gomes (PSB-CE), integrando a base do governador Elmano de Freitas (PT).

Um dos pontos centrais da investigação envolve uma troca de mensagens entre o deputado e o cantor. Em 2024, Junior Mano teria solicitado diretamente a Safadão apoio financeiro para um evento em Nova Russas, município administrado por sua esposa, Giordanna Mano. A conversa, segundo a PF, indica um contato direto, sem intermediários.

O pedido ocorreu após contratações do artista por prefeituras, com cachês que somam cerca de R$ 1,9 milhão. Para os investigadores, há indícios de que a solicitação poderia representar uma “devolução” de parte desses valores, o que configuraria uma espécie de propina.

Outro trecho da investigação aponta que o deputado teria acionado o Ministério dos Portos e Aeroportos para agilizar a liberação de aeronaves do cantor para uso em campanha eleitoral. Em mensagem ao ministro Silvio Costa Filho, o parlamentar afirma precisar dos jatinhos com urgência para viagens pelo interior.

A PF também identificou proximidade com Yvens Watila, irmão e empresário do cantor. Durante operação em 2024, ele foi encontrado no apartamento funcional do deputado, em Brasília, e teria participação em articulações políticas, segundo mensagens analisadas.

Outro familiar citado é Welligton Silva de Oliveira, conhecido como “Edim” (PP). Ele aparece em diálogos que tratam da liberação de recursos para o município. O gestor foi afastado do cargo após condenação por estelionato.

Mensagens interceptadas também mencionam tratativas sobre liberação de licenças ambientais e possíveis acertos informais ligados a obras públicas, o que reforçou, para a PF, a hipótese de atuação de um grupo organizado. O relatório aponta ainda que o deputado teria ligação com Carlos Alberto Queiroz Pereira, que está foragido desde 2024 após decisão judicial.

Em nota, a defesa de Junior Mano afirma que não há provas contra o parlamentar e que ele não participou de licitações nem controla a aplicação de recursos federais. O deputado também criticou o vazamento de informações em período pré-eleitoral.

Já a defesa de Wesley Safadão negou qualquer envolvimento político, afirmando que a troca de mensagens tratava apenas de um pedido comum de patrocínio no setor de eventos. A defesa de Carlos Alberto Queiroz Pereira disse que não comenta processos em andamento.

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