É um cenário incomum e politicamente preocupante. Em vez de reduzir os índices de avaliação negativa com entregas, obras e presença efetiva, o Governo Raquel Lyra caminha na direção oposta: amplia o contingente da população/eleitores que consideram a gestão ruim ou péssima justamente no momento em que deveria estar consolidando apoio para uma tentativa de reeleição.
Os dados mais recentes – da pesquisa Datafolha divulgada ontem – escancaram essa inversão de lógica. A rejeição deu um salto significativo, crescendo de forma contínua e consistente, enquanto a avaliação positiva permanece praticamente estagnada. O resultado é um desequilíbrio claro: o governo não consegue ampliar sua base de aprovação e, ao mesmo tempo, vê crescer o volume de insatisfação.
Esse movimento não é trivial. Ele indica que parte relevante dos eleitores que antes adotavam uma postura intermediária, avaliando a gestão como regular, está abandonando essa posição e migrando para uma visão mais crítica. É um sinal direto de desgaste, que costuma surgir quando a expectativa inicial não encontra respaldo na realidade percebida no dia a dia.
O contraste com ciclos anteriores da política pernambucana torna esse quadro ainda mais evidente. Momentos marcados por forte presença do Estado e ritmo acelerado de entregas ajudavam a comprimir as avaliações negativas e ampliar o capital político dos governos. Agora, ocorre o inverso: a ausência de respostas concretas abre espaço para o crescimento da frustração.
O que a pesquisa revela, portanto, vai além de números isolados. Trata-se de uma tendência de deterioração que, se mantida, pode comprometer seriamente a capacidade de reação do governo no campo político. Em um ambiente onde a percepção pesa tanto quanto a ação, permitir que a rejeição avance sem contenção é correr o risco de transformar um alerta em crise consolidada. (Via: Blog Magno Martins)
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