O Vaticano anunciou, nesta quinta-feira (2), que a Fraternidade Sacerdotal São Pio X está oficialmente em cisma com a Igreja Católica após a ordenação de quatro bispos sem autorização do papa Leão XIV.
Em comunicado, a Santa Sé declarou a excomunhão dos bispos ligados à fraternidade, considerou inválidos os sacramentos celebrados por eles e orientou os fiéis a não aderirem ao grupo.
Segundo o Vaticano, a ordenação realizada na quarta-feira (1º), em Écône, na Suíça, configura um "ato cismático", por romper a comunhão com a autoridade do papa.
A missa de ordenação aconteceu ao ar livre, diante de milhares de fiéis, em Ecône, na Suíça, mesmo lugar onde Marcel Lefebvre ordenou quatro bispos em 1988, e foi conduzida pelo bispo católico tradicionalista suíço Bernard Fellay. Foram ordenados os franceses Marc Hanappier e Michel Poinsinet de Sivry, o americano Michael Goldade e o suíço Pascal Schreiber.
Os quatro novos bispos, dois franceses, um norte-americano e um suíço, foram consagrados diante de milhares de fiéis na sede da fraternidade, ignorando um apelo feito por Leão XIV para que a cerimônia fosse cancelada. O decreto estabelece que, ao realizar a consagração, tanto os consagrantes quanto os consagrados incorreram na excomunhão prevista pelo direito canônico
De acordo com a Santa Sé, os integrantes da Fraternidade São Pio X não podem celebrar sacramentos de forma válida perante a Igreja Católica. O Vaticano afirmou ainda que padres e leigos que aderirem ao grupo passam a ser considerados em situação de cisma e sujeitos às sanções previstas pelo direito canônico.
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O que defende a Fraternidade São Pio X?
Fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, a Fraternidade São Pio X rejeita parte das reformas introduzidas pelo Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965.
O grupo defende o retorno das missas em latim, a celebração da liturgia com o sacerdote voltado para o altar e uma interpretação mais rigorosa da doutrina católica. Também critica mudanças promovidas pelo concílio, como o uso das línguas locais nas celebrações e a ampliação do diálogo da Igreja com outras religiões.
O embate entre a fraternidade e o Vaticano começou há quase quatro décadas. Em 1988, Marcel Lefebvre ordenou quatro bispos sem autorização do então papa João Paulo II, o que resultou na excomunhão dos envolvidos.
Em 2009, o papa Bento XVI retirou a excomunhão desses bispos como gesto de aproximação, mas a situação canônica da fraternidade permaneceu irregular e as divergências nunca foram superadas.
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