A Polícia Civil de Pernambuco deflagrou, nesta quarta-feira (12), a Operação de Repressão Qualificada Revocation, resultado de uma investigação iniciada em 2023 para desarticular uma organização criminosa com atuação no tráfico de drogas, homicídios, extorsões, porte ilegal de armas e lavagem de dinheiro. Ao todo, oito mandados de prisão foram cumpridos e as equipes policiais seguem em diligências para localizar um investigado que permanece foragido.
A investigação é conduzida pela 4ª Delegacia de Polícia de Homicídios (4ª DPH/DHPP) e teve início a partir de um homicídio ocorrido no bairro do Totó, na Zona Oeste do Recife. Segundo a delegada Mariana Martins, a apuração do assassinato permitiu identificar uma estrutura criminosa mais ampla.
Rivalidade entre grupos estava por trás de homicídios
De acordo com as investigações, o homicídio que deu origem à apuração ocorreu durante uma disputa entre grupos criminosos que atuavam na região. A vítima teria ido ao Totó com a intenção de matar um integrante de um grupo rival, mas acabou sendo assassinada.
A vítima já era conhecida das forças de segurança e, conforme a investigação, integrava o grupo criminoso que atuava principalmente no Curado I, em Jaboatão dos Guararapes, e mantinha uma disputa territorial com traficantes do Totó.
A partir da análise de diferentes elementos, a Polícia Civil conseguiu relacionar 17 homicídios à rivalidade entre os grupos criminosos investigados.
Líder do grupo foi morto em 2025
As investigações também apontaram que a organização era comandada por uma liderança que, apesar de ter sido presa anteriormente, continuava exercendo influência sobre os integrantes que permaneciam em liberdade.
“Ele continuou tendo influência mesmo recolhido no sistema prisional, mandando ordens para os comparsas que estavam na rua para efetuarem homicídios e continuarem com o tráfico na comunidade”, detalhou a delegada Mariana Martins.
Em 2025, porém, o líder da organização e a companheira dele foram sequestrados em João Pessoa e posteriormente mortos em Igarassu, em Pernambuco, caso investigado pela Divisão de Homicídios Metropolitana Norte (DHMN/PCPE).
Segundo a investigação, a ida do grupo à Paraíba tinha como finalidade a tentativa de ocultação de seus integrantes, e não a expansão das atividades criminosas naquele Estado. A atuação identificada pela Polícia Civil estava concentrada principalmente nos bairros do Curado I e Totó, além do fornecimento de drogas para outras localidades.
Extorsão contra os próprios integrantes
Além dos homicídios e do tráfico de drogas, a organização também é investigada por práticas de extorsão contra os próprios integrantes do grupo.
Conforme a apuração, integrantes que ficavam devendo drogas à organização eram pressionados a entregar bens para quitar os débitos. Em alguns casos, familiares dos devedores também eram alvo das cobranças.
A investigação identificou ainda que integrantes do grupo eram utilizados para ocultar o patrimônio obtido com as atividades criminosas. Bens e valores não eram registrados diretamente em nome das lideranças, numa tentativa de dificultar a identificação da origem do patrimônio e a responsabilização dos envolvidos.
Mais de R$ 800 mil são bloqueados
Durante a operação deflagrada nesta quarta-feira (12), a Polícia Civil conseguiu o bloqueio de R$ 800 mil vinculados aos investigados.
Não houve apreensão de armas ou drogas durante o cumprimento das medidas judiciais realizadas hoje. No entanto, a investigação reuniu registros e outros elementos que demonstram a existência de um arsenal de armas e a movimentação de grande quantidade de drogas pelo grupo ao longo do período investigado.
Investigação segue
Os oito presos foram encaminhados ao Cotel e permanecem à disposição da Justiça. As equipes policiais continuam nas ruas para localizar o nono investigado que possui mandado de prisão.
A delegada Mariana Martins explica que os envolvidos poderão responder por diferentes crimes, e as penas serão analisadas individualmente, de acordo com a participação de cada investigado. “Temos extorsão, tráfico de drogas, porte ilegal de arma, homicídios e também lavagem de dinheiro. Cada um terá sua pena individualizada, de acordo com os crimes cometidos”, afirmou.
Acompanhe o Blog O Povo com a Notícia também nas redes sociais, através do Facebook e Instagram
