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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Enquanto isso... Raquel acusa governo Lula de má-fé

Do Blog Magno Martins - Em uma reviravolta no discurso até então encampado pelo marketing da campanha à reeleição, a governadora Raquel Lyra (PSD) foi enfática ao acusar, ontem, durante debate promovido pelo Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de agir de “má-fé” ao “direcionar” as auditorias realizadas pelo Ministério da Saúde para investigar repasses de R$ 40 milhões a uma unidade de saúde privada da qual um dos sócios é o marido da vice-governadora Priscila Krause (PSD).

Ao ser questionada pelo candidato do PSB ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), sobre o suposto quantitativo de 236 fraudes em “processos de tratamento de câncer e hemodiálise” realizadas no Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, que tem como sócio-administrador Jorge de Noronha Branco Neto, marido de Priscila Krause, a governadora demonstrou certa confusão ao abordar o andamento do processo, ao passo que partiu para o ataque ao Ministério da Saúde.

“Essa fraude, suposta fraude, de que você fala, ao Ministério da Saúde, do hospital do marido de Priscila, […] foi anulada, foi suspensa, por indícios claros de direcionamento e má-fé da auditoria feita pelo Ministério da Saúde”, denunciou. Apesar de não citar responsáveis pelo que classificou como “direcionamento” por parte do governo federal, a governadora alegou, apesar de o caso tramitar sob segredo de justiça, ter conhecimento de que tal “direcionamento” teria sido reconhecido pelo Judiciário.

A auditoria citada pela governadora Raquel Lyra diz respeito não somente ao montante milionário destinado à unidade de saúde administrada pelo marido da vice-governadora, mas, também, a questionamentos sobre impessoalidade, conflito de interesses e critérios adotados pela atual gestão estadual na contratação de serviços de saúde.

O caso chegou às instâncias superiores a partir de relatos feitos pelo Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DenaSUS) sobre procedimentos forjados, pagamentos indevidos e suspeita de favorecimento em contratos firmados pelo governo Raquel Lyra, o que motivou, recentemente, a ida do caso ao Tribunal de Contas da União (TCU).

O DenaSUS pede a devolução de quase R$ 1 milhão ao Fundo Nacional de Saúde por “recebimento indevido de recursos da Assistência Financeira Complementar da União destinada ao Piso Nacional da Enfermagem” e “faturamento de procedimentos assistenciais sem a devida comprovação de sua execução nos prontuários analisados”.

Em paralelo, passou a tramitar na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) um pedido de impeachment contra a vice-governadora Priscila Krause. Após parecer favorável pela admissibilidade do processo por parte da Procuradoria da Casa, a matéria agora segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que se, ao final, julgar comprovado o crime de responsabilidade, pode decidir pelo afastamento do cargo e eventual perda do mandato.

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