O ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva afirmou nesta segunda-feira, (07), em São Paulo, que o País não pode
permitir que "haja um golpe de Estado via impeachment" no Congresso
Nacional.
"Para
recolocar o trem de volta nos trilhos [o país] a gente não pode permitir que
haja um golpe de Estado via impeachment no Congresso Nacional", ressaltou
o ex-presidente.
Lula
destacou que para haver impeachment, é necessário ter uma razão e uma motivação
clara. O que está por trás da tentativa de impeachment da presidente da
República, segundo Lula, é o "desejo da oposição de tirar o pobre do
poder".
"Obviamente
que o impeachment faz parte do processo democrático. Todos nós aqui
participamos do impeachment do Collor [Fernando]. Mas o impeachment tem que ter
uma razão, tem que ter uma motivação. E, no caso da Dilma, não tem nenhuma
motivação a não ser ódio, a não ser preconceito, a não ser tentar desmontar um
projeto que, com ajuda de milhões de pessoas que vivem no anonimato, que
produzem a riqueza deste país, ajudaram a gente a construir", enfatizou.
Mais
detalhes na reportagem da Agência Brasil:
Lula diz que motivações do impeachment são ódio e preconceito
Daniel
Mello – O ex-presidente Luiz Inácio da Silva disse hoje (07) que a motivação por
trás do pedido de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff é ódio.
"O impeachment faz parte um processo democrático, mas o impeachment tem
que ter uma razão, uma motivação. No caso da Dilma, não tem nenhuma motivação,
nem razão a não ser ódio, a não ser preconceito", ressaltou em discurso,
ao participar de um encontro de articulação de movimentos sociais e centrais
sindicais contra o impedimento.
As
lideranças sindicais e da sociedade civil devem passar o dia reunidas e
anunciar à noite uma agenda de manifestações contra a destituição da
presidenta. O processo começou a tramitar na semana passada, quando o
presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha acolheu o pedido elaborado
pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal. Os nomes
dos deputados que vão compor a Comissão Especial que vai analisar o pedido
devem ser anunciados no início da noite de hoje.
Lula
disse que a continuidade de Dilma no poder é fundamental para evitar retrocessos
sociais no Brasil. "Para a gente reconstruir o direito de brigar outra
vez, a gente não pode permitir que haja um golpe de Estado, via impeachment no
Congresso Nacional. Porque não tem base jurídica, como não tem base
política", enfatizou.
O
ex-presidente acusou os partidos de oposição, derrotados na eleição de 2014, de
boicotarem o governo federal no Congresso, impedindo a adoção de medidas
necessárias para a recuperação econômica. "A oposição é que não desmontou
o palanque, não desmontou o carro de som. Faz todo o esforço para evitar que a
companheira Dilma governe este país. Faz todo o esforço para evitar que as
coisas aconteçam nesse país", disse.
Para
Lula, o movimento pelo impeachment é, na verdade, uma luta contra o projeto
político implementado pelo PT nos últimos anos: "Eles querem tirar a
Dilma, porque sabem que enquanto ela estiver lá, os pobres vão continuar tendo
direito a universidade, as cotas vão ser defendidas e o Minha Casa, Minha Vida
vai continuar".
Na
opinião do ex-presidente, o governo deve monitorar de perto as movimentações
dos parlamentares. "É importante que a gente não abra mão de fiscalizar e
saber construir a maioria absoluta que nós precisamos ter dentro do Congresso
Nacional, para evitarmos ser pegos de surpresa em uma votação qualquer",
disse.
Os
meios de comunicação também precisam, na opinião de Lula, serem monitorados
pela sociedade civil. "Porque a imprensa pode ter um papel extraordinário
de ajudar a informar corretamente a sociedade brasileira. O que seria muito
bom. Ou ela pode fazer uma opção de ter uma pendência para esse ou aquele lado.
Se ela tiver que fazer essa opção, que ela faça para o lado decente da política
brasileira, o lado justo e do respeito à democracia e ao Estado de
Direito".
União: Lula
também defendeu a união entre os diversos movimentos e partidos, deixando as
diferenças temporariamente de lado. "É como se nós estivéssemos andando em
um trem que tivesse descarrilado. Nós agora não temos que ficar brigando qual é
o vagão que a gente vai. A gente tem que colocar o trem outra vez nos trilhos.
Quando ele estiver no trilho, a gente vai brigar", recomendou.
Nesse
sentido, o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, João
Paulo Rodrigues, disse que há unidade em torno da defesa do mandato, apesar das
divergências com o governo. "Ela tem que terminar o seu mandato. Então, os
movimentos tem que continuar pressionando, pedindo mudanças no governo, para
que possa atender ao conjunto das pautas. Mas o que deu unidade aqui é a
manutenção e garantia do mandato. Nesse sentido, nós vamos fazer uma grande
jornada de lutas", ressaltou ao defender avanços na reforma agrária e
mudanças na política econômica.
O
presidente da Central Única dos Trabalhadores, Vagner Freitas, destacou que os
sindicatos também esperam mudanças nos rumos da economia. No entanto, a central
sindical não acredita que a destituição de Dilma seja o caminho para isso.
"Nós sabemos que tem que ter transformação. Mas a transformação não se dá
pelo impeachment. O impeachment é apenas um subterfúgio do Cunha e aqueles que
perderam a eleição para tomar o poder. Não é para melhorar o povo
brasileiro", enfatizou. (Via: 247)
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