O
ministro Eliseu Padilha, da Aviação Civil, pediu demissão. Não é um ministro qualquer. Entre os integrantes da
Esplanada, é o mais próximo do vice-presidente Michel Temer. Já se sabia que,
deflagrado o processo de impeachment, Temer tornara-se um vice a caminho do
Rubicão. A saída de Padilha apressou o processo, acomodando o vice às margens
do rio. Mais: indica que Temer não tomou o rumo do Rubicão para pescar. Se
alguém ainda tinha dúvidas, fica agora entendido que Dilma não deve esperar do
seu vice nenhum engajamento na defesa do mandato presidencial.
Padilha tinha vários pretextos para deixar o cargo.
Queixava-se de não ser valorizado. Reclamava de falta de verbas para colocar
planos em pé. De resto, indicou um nome para a diretoria da Agência Nacional de
Aviação Civil — Juliano Noman — que foi barrado pelo Planalto. Mas ele só bateu
em retirada depois de participar, na quinta-feira, de uma reunião em que Dilma
discutiu com ministros as estratégias do governo para barrar o impeachment. A
conversa deixou Padilha desconfortável dentro dos sapatos.
Na noite desta quinta-feira (3), o amigo de Temer
procurou o ministro Jaques Wagner (Casa Civil) para entregar-lhe a carta. Não
foi atendido. Decidiu, então, entregar o documento no protocolo do Planalto.
Com esse gesto, Padilha como que bateu a porta ao sair. Tudo, naturalmente,
combinado com Temer, agora de frente para o Rubicão, à espera do melhor momento para atravessar o rio. (Via: Josias de Souza)
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