Três
pernambucanas tiveram desafio duplo ao alcançar boa votação nas últimas
eleições. Além de ser minoria entre os homens, a professora Maria Regina Cunha,
em Itaíba, a parteira Maria José Galdino da Silva, em Caruaru, e a professora e
liderança indígena Edilene Bezerra Pajeú (foto), de Cabrobó, tinham obstáculos
extras. A primeira venceu forte grupo político que liderava na cidade por duas
décadas. Zezé tornou-se a única representante das parteiras rurais num
legislativo municipal no País, e Edilene, chamada também Pretinha entre seu
povo, ainda luta pela única vaga de indígena entre vereadores na sua cidade.
Tem votos suficientes para ocupar a penúltima cadeira da Câmara Municipal, mas
trava batalha jurídica para manter o registro de candidatura questionado em
razão do período em que se afastou da escola para se dedicar à campanha.
"Meu caso está no Tribunal
Superior Eleitoral. Fui impugnada pelo Ministério Público por causa do prazo de
desincompatibilização", explica. Edilene, 41, que concorreu como Pretinha
Truká pelo Partido Verde e vive na Ilha de Assunção, no Rio São Francisco, a
489 quilômetros do Recife, com os mais de cinco mil trukás. É formada em
licenciatura intercultural pela Universidade Federal de Pernambuco e trabalhava
em escola indígena num contrato temporário com o Estado, como os demais
professores indígenas. Conta que pediu afastamento no dia 1º de julho, três
meses antes do primeiro turno como previa a legislação eleitoral, mas só foi
afastada pelo Estado vinte dias depois. "A assessoria jurídica da
Secretaria de Educação alegava que eu não precisava me afastar", diz. Ela
se envolveu em outra polêmica ao publicar foto de crianças com cartazes
contrários a PEC do Teto dentro de uma escola pública estadual.
A candidatura de Pretinha foi
uma decisão da comunidade. "Já é um desafio grande um indígena se
candidatar a um cargo político. Ser mulher, então, multiplica a
dificuldade". Antes de Pretinha, Maria das Dores dos Santos, Dorinha
Pankará (PP), em Carnaubeira da Penha, tornou-se vereadora em 2012. Concorreu
mais uma vez este ano e ficou na suplência.
Maria Regina Cunha (PTB), 46,
professora em Itaíba, a 331 quilômetros do Recife, já foi secretária municipal
de saúde, quando compôs a equipe do então marido, prefeito Marivaldo Bispo,
aliado do antecessor Claudiano Martins. A aliança política acabou, assim como o
casamento. Mas a carreira prosseguiu. Tornou-se vereadora, praticamente a única
oposição ao prefeito Juliano Martins (PP), e acabou se elegendo para
substitui-lo. "Passei 45 dias visitando o município, comunidade por
comunidade. Foi uma vitória incrível. As pessoas conheciam o meu
trabalho". Ela venceu o atual prefeito Juliano Martins (PP), com 7.131
votos.
A agente de saúde Zezé Parteira
(PV), 59, do Sítio Barra de Taquara de Cima, mãe de 15 filhos, ajudou a trazer
ao mundo duas mil crianças. Entrou para a política este ano pressionada pela
comunidade e tornou-se a única mulher entre os 23 eleitos em Caruaru para
vereador. Credita o sucesso a Deus - "gastei só R$ 20"- mas tem
consciência de que foi eleita pela gratidão do povo que vive longe da cidade.
"Tenho que lutar em favor da Zona Rural, das mulheres, das crianças e das
60 mil parteiras comunitárias espalhadas pelo Brasil". (Via: Blog PE Notícias)
Blog: O Povo com a Notícia
