Em depoimento ao juiz Sergio Moro
nesta sexta-feira, o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque revelou
que teve um encontro secreto com o ex-presidente Lula, num hangar do Aeroporto
de Congonhas, já durante as investigações da Operação Lava-Jato, no qual
recebeu do petista ordens para fechar as contas que mantinha no exterior para
receber propina de contratos da Petrobras.
Segundo Renato Duque, o ex-presidente relatou na conversa que
a então presidente Dilma Rousseff havia lhe repassado a informação de que
diretores da Petrobras estavam recebendo propina de fornecedores da estatal,
como a multinacional SBM, em contas no exterior. Lula queria saber se Duque
estava entre os beneficiários da propina. Como o ex-diretor negou, Lula
insistiu querendo saber se a propina de contratos de sondas da Sete Brasil
estava sendo paga no exterior. Duque voltou a negar. Lula então fez questão de
advertir para a necessidade de eliminar rastros no exterior que pudessem levar
as autoridades até a propina.
Principal operador do PT na Petrobras, Renato Duque também
afirmou que se reuniu com Lula secretamente para discutir contratos de
interesse das empreiteiras do petrolão em pelo menos duas oportunidades.
Segundo Duque, Lula sabia de tudo que se passava no petrolão. Mas não só. O
ex-presidente monitorava pessoalmente o fluxo de pagamentos de contratos que
renderiam propinas posteriormente. Lula era tão envolvido que chegava a ter
informações antes mesmo do próprio Renato Duque.
O ex-ministro Antonio Palocci foi designado por Lula para ser
o grande responsável por negociar as propinas em contratos com as empreiteiras.
Além de confirmar que Lula recebia propinas do esquema, Duque disse ter
escutado do ex-tesoureiro João Vaccari Neto que Palocci administrava a parte de
Lula nas propinas da Sete Brasil. Vaccari era o responsável por gerenciar a
propina do ex-presidente.
Segundo Duque, dentro da quadrilha do petrolão o
ex-presidente Lula era chamado por dois apelidos: “Nine” e “Chefe”.
Quando não falavam diretamente o apelido de Lula, os integrantes do esquema
gesticulavam com as mãos perto do rosto para simular uma barba.
Blog: O Povo com a Notícia
Via: Veja
