A onda que deixou o candidato
Jair Bolsonaro (PSL) a poucos pontos da vitória no primeiro turno se concentrou
em Estados do Sudeste, Sul e Centro-Oeste – ou seja, nos últimos dias da
campanha, ele avançou mais em áreas onde já liderava com grande vantagem. Com o
petista Fernando Haddad, que também cresceu na reta final, ocorreu o mesmo: o
ex-prefeito ganhou mais eleitores onde já era mais forte: no Nordeste.
Na véspera da eleição, o candidato do PSL tinha 41% das intenções de voto,
segundo pesquisa Ibope/Estado/TV Globo, considerado apenas o universo dos votos
válidos. O levantamento do Ibope de boca de urna, divulgado às 19h do dia da
votação de primeiro turno, indicou que ele havia crescido para 45%. O resultado
oficial foi 46%. Haddad apareceu com 25% na véspera, 28% na boca de urna e 29%
na apuração oficial.
Bolsonaro teria vencido com
maioria absoluta dos votos se não fossem as mulheres. Nos segmentos masculino e
feminino ele teve, respectivamente, 51% e 40% dos votos. A maior diferença no
padrão de votação, porém, não se deu na segmentação por gênero, mas por renda. Os ocupantes do topo e da base da pirâmide social votaram de maneira oposta. Na
média, os 20% que ganham mais de cinco salários mínimos deram a Bolsonaro 56%
de seus votos, e apenas 13% a Haddad. O placar se inverteu (48% a 28% para o
petista) entre os mais pobres, com renda de um salário mínimo ou menos.
Haddad não apenas venceu nos segmentos de menor renda e escolaridade –
estes foram os segmentos nos quais sua taxa de intenção de voto mais avançou
entre a véspera e o dia da votação.
Para mapear os movimentos do eleitorado nas últimas 72 horas antes do
início da votação, o Estadão Dados analisou pesquisas do Ibope feitas em cada
um dos 26 Estados e no Distrito Federal, além do levantamento nacional,
divulgado na véspera, e o relatório detalhado da pesquisa de boca de urna.
No dia 4, a três dias da eleição,
Bolsonaro fez um esforço final de conquista do eleitorado do Nordeste, a única
região em que aparecia em desvantagem nas pesquisas. Ele deu entrevista a uma
rádio do Recife e usou o Twitter para mandar mensagens aos nordestinos. A
ofensiva, porém, teve efeito limitado.
A comparação das últimas pesquisas estaduais do primeiro turno com o
resultado final mostra que o Nordeste foi a região onde a onda bolsonarista
menos avançou. Em alguns Estados, como Bahia, Maranhão e Piauí, ele ficou
estagnado. Na Paraíba, chegou a recuar um pouco.
Mas houve crescimento forte em quase todo o Sudeste – a exceção foi Minas
Gerais. Em São Paulo, Bolsonaro ganhou 12 pontos entre a divulgação da pesquisa
de véspera e o resultado final. No Espírito Santo e no Rio, o avanço foi de 14
e 9 pontos, respectivamente.
O candidato do PSL teve crescimento quase homogêneo na véspera e no dia da
votação no Sul. O avanço foi de 9, 10 e 11 pontos no Rio Grande do Sul, no
Paraná e em Santa Catarina, respectivamente. Fenômeno parecido aconteceu em
quase todo o Centro-Oeste. Em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul,
Bolsonaro cresceu 8 pontos entre quinta-feira e domingo.
Estratégia
Haddad também focou no eleitorado nordestino às vésperas da votação. O
plano inicial era concentrar a agenda da reta final no Sudeste, mas o candidato
voou para a Bahia na sexta-feira, temendo que o adversário crescesse no
Nordeste e decidisse a eleição no primeiro turno.
Apesar dos temores, foi o petista quem avançou no Nordeste na etapa final.
Na Bahia, ele aparecia com 44% na última pesquisa Ibope, mas acabou recebendo
60% na urna. Também houve saltos no Piauí (14 pontos) e no Maranhão (12). Na
Bahia, no Piauí e no Maranhão, três governadores aliados de Haddad – Rui Costa
(PT), Wellington Dias (PT) e Flávio Dino (PCdoB) – foram reeleitos no primeiro
turno e podem ter ajudado no impulso final do petista.
Blog: O Povo com a Notícia
Via: Estadão

