O valor é próximo ao da empresa descartada na quinta-feira (21) pelo partido em meio à crise de comunicação da pré-campanha petista, indicando que a possível substituição pode estar ligada mais à disputa interna e insatisfações com a proposta de trabalho do que com os gastos –justificativa dada oficialmente pela sigla.
Pela proposta apresentada em dezembro de 2021 pela empresa agora cotada, seriam R$ 31,8 milhões para o primeiro e R$ 12,7 milhões para o segundo turno da campanha de Lula.
Esse valor está apenas R$ 500 mil abaixo da previsão apresentada pela MPB Estratégia e Criação, destituída sob o argumento de que "não foi possível compatibilizar a proposta orçamentária com o planejamento de recursos partidários".
Elaborada em meio à pandemia da Covid-19, a proposta da MPB (de R$ 45 milhões) incluía um gasto de cerca de R$ 25 milhões com os dois turnos e uma reserva de, aproximadamente, R$ 13 milhões que poderia ser usada de acordo com o ritmo das atividades protagonizadas por Lula. O restante seria destinado ao pagamento de impostos.
Um deles dedicado à aplicação de vacinas em defesa da imagem de Lula e do PT e outro, à comparação entre o petista e o presidente Jair Bolsonaro (PL). Também seria reservado um arsenal de ataques que seria usado contra os adversários a título de advertência.
Esse orçamento prevê a realização de cerca de 90 pesquisas qualitativas e duas quantitativas. Sócio da Leiaute, o publicitário Sidônio Palmeira deverá substituir Augusto Fonseca, da MPB, no marketing da campanha.
Segundo petistas, os termos desse contrato nem foram acertados, já que a MPB foi a escolhida na concorrência realizada no ano passado. Fonseca foi afastado como consequência de uma disputa entre o coordenador da pré-campanha, o jornalista Franklin Martins, e o secretário de comunicação do PT, Jilmar Tatto, sobre os rumos da campanha.
Lula bateu martelo durante reunião com a presidente do PT, Gleisi Hoffmann (PR), e o presidente da Fundação Perseu Abramo, Alozio Mercadante. Fiador de Fonseca, Franklin Martins deverá ser afastado da comunicação da campanha.
Dois exemplos mais recentes foram as declarações sobre o aborto e a reforma trabalhista. No primeiro, o petista afirmou que o aborto deveria ser um "direito de todo mundo", fornecendo munição para seus adversários. No dia seguinte, o petista contornou as declarações, se posicionou pessoalmente contra o aborto e defendeu o tratamento para mulheres que realizarem o procedimento na rede pública de saúde.
Já no caso da reforma trabalhista as declarações se arrastam desde o começo do ano. Em janeiro, publicações nas redes sociais de Lula e Gleisi, a favor da "contrarreforma" em implementação na Espanha, causaram reação no setor empresarial.
Emissários de Lula se apressaram a explicar que não se tratava de uma revogação integral da reforma aprovada no governo de Michel Temer (MDB), mas sim a revisão de alguns itens.
