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segunda-feira, 25 de maio de 2026

Interpol monitorava Deolane na Itália antes de prisão

A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contaram com a ajuda da Interpol para monitorar a influenciadora e advogada Deolane Bezerra durante uma viagem de 20 dias a Roma, na Itália.

A empresária foi detida na deflagração da Operação Vérnix, na última quinta-feira (21), em sua mansão em Barueri, na Grande São Paulo, um dia após desembarcar no Brasil.

Viagem à Itália

O avanço da operação aconteceu enquanto Deolane viajava pelo território europeu. Ela ficou hospedada em um prédio de luxo na região da Piazza di Spagna, onde as diárias ultrapassam R$ 15 mil.

Enquanto isso, autoridades paulistas contaram com o auxílio da Interpol para monitorar a influenciadora. Inicialmente, a polícia traçava planos para prendê-la em Roma, mas ela viajou de volta para o Brasil.

A Interpol é a maior organização de cooperação policial do mundo, composta por 196 países membros, cuja função é conectar forças de segurança globais para prevenir e combater crimes transnacionais, como terrorismo, cibercrime, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

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Prisão da influenciadora

Segundo os investigadores, Deolane seria uma das responsáveis por movimentar valores milionários oriundos do núcleo financeiro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de empresas consideradas de fachada.

De acordo com a investigação, o esquema utilizava empresas formalmente registradas para dar aparência legal a recursos ilícitos. A polícia aponta que parte do dinheiro passava por uma transportadora sediada em Presidente Venceslau, cidade do interior paulista conhecida por abrigar presídios de segurança máxima.

Os investigadores afirmam que relatórios financeiros identificaram movimentações incompatíveis com a renda declarada da influenciadora. A Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 27 milhões ligados diretamente a Deolane e mais de R$ 327 milhões em bens e ativos atribuídos ao grupo investigado.

Envolvimento do PCC

A operação também teve como alvo integrantes da cúpula do PCC, incluindo Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, que já cumpre pena em presídio federal. Familiares e operadores financeiros apontados como integrantes do esquema também foram alvos de mandados de prisão e busca.

Segundo a Polícia Civil, a investigação começou após a apreensão de bilhetes encontrados dentro de uma penitenciária em São Paulo. Os manuscritos teriam revelado detalhes sobre movimentações financeiras da facção e possíveis ligações com empresas associadas à influenciadora.

Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi a suspeita de depósitos fracionados em contas ligadas a Deolane. Conforme a apuração, mais de R$ 1 milhão teria sido movimentado por meio de pequenas transferências feitas para dificultar o rastreamento pelas autoridades.

Deolane se defende das acusações

Durante audiência de custódia, realizada na tarde de sexta-feira (22), Deolane afirmou que o caso envolve um pagamento referente ao exercício de sua função como advogada a um cliente, entre os anos de 2019 e 2020.

“Excelência, eu fui presa num exercício da profissão. Na época dos fatos, eu advogava, é um processo de um ano bem antigo, 2019, 2020, e eu quero deixar bem claro, mesmo sabendo que aqui não se trata de mérito, mas que eu fui presa por estar advogando por uma quantia de R$ 24 mil depositada em minha conta por um cliente que consta no próprio relatório da polícia, ou seja, eu fui presa no exercício da profissão”, revelou.