Mais um policial penal suspeito de participação no esquema de corrupção no Presídio de Vitória de Santo Antão, localizado na Mata Sul de Pernambuco, foi preso. Paulo Henrique da Silva era considerado foragido desde a deflagração da operação Controle Paralelo, em 25 de agosto.
A Polícia Civil confirmou a prisão por meio de nota oficial, nesta terça-feira (1º). Paulo Henrique se apresentou espontaneamente, passou por audiência de custódia e foi encaminhado para o Presídio de Itaquitinga II, onde também estão o ex-diretor do presídio Emanuel Roberto Franca de Lima e o policial penal Mário Alves Batista. Os dois foram presos temporariamente no dia da operação.
A Polícia Civil segue as buscas para encontrar o ex-presidiário Alexandre Saturnino de Paula, apontado como o ex-chaveiro que liderava um esquema de extorsão e corrupção no presídio.
Segundo as investigações, iniciadas em outubro de 2022, Alexandre negociava o aluguel de camas nas celas, comercializava produtos em cantina e prometia proteção aos presos, tudo mediante em dinheiro ou Pix. Quem atrasava o pagamento, sofria agressões físicas e ameaças. Familiares dos detentos também recebiam telefonemas e eram obrigados a pagar pelos "serviços" irregulares e com a conivência do Estado.
ESQUEMA DE CORRUPÇÃO NO PRESÍDIO
O ex-chaveiro teria relação direta com Emanuel. Em meio a denúncias de irregularidades, o ex-diretor deixou de exercer cargo de confiança em 2023, mas permanecia trabalhando no Presídio Rorinildo da Rocha Leão, localizado em Palmares, também na Mata Sul, com salário superior a R$ 10 mil, conforme consta no Portal da Transparência.
A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 1.014.856,23 das contas do ex-diretor, a pedido da polícia, que indicou que o valor era incompatível com o cargo público ocupado por ele.
A investigação apontou que familiares do ex-diretor e do ex-chaveiro teriam recebido depósitos em dinheiro obtido no esquema. A esposa de Emanuel está sendo investigada. Ela é descrita como uma pessoa que realizou movimentações financeiras relacionadas ao núcleo investigado e teria mantido transações diretas com o líder da organização. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 93 mil das contas dela.
A polícia também descobriu que parte do dinheiro arrecadado na unidade prisional era destinada a uma empresa de venda de camarões localizada na praia de Porto de Galinhas, em Ipojuca. O estabelecimento pertence ao ex-chaveiro e estaria sendo usado para lavagem de capitais.
Também foram presos na operação Robson Saturnino de Paula Júnior e Aluízio José Gomes Júnior, apontados como pessoas de confiança de Alexandre e que teriam participação na lavagem de capitais. Ambos estão recolhidos no Centro de Observação Criminológica e Triagem (Cotel), em Abreu e Lima.
SINDICATO SE PRONUNCIA
Em nota, o Sindicato dos Policiais Penais de Pernambuco declarou que os três policiais presos são filiados à entidade e contam com assistência jurídica "para acompanhamento das providências legais necessárias à preservação de seus direitos e garantias".
A entidade disse ainda que não se manifesta sobre o mérito ou alcance da investigação, "cuja apuração compete às autoridades responsáveis". (Via: Jc)
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