O pastor, Aluízio Vidal Flor, é alvo de denúncias de crimes sexuais em Porto Velho, em Rondônia. Segundo o Uol, pelo menos 12 mulheres procuraram o Ministério Público do estado relatando supostos abusos que teriam ocorrido ao longo dos anos dentro da igreja. Além das acusações, as vítimas afirmam que foram desacreditadas, expostas e isoladas dentro da comunidade religiosa.
Aluízio está preso preventivamente desde 15 de setembro. Em 1º de outubro, ele se tornou réu após a Justiça aceitar uma denúncia pelos crimes de estupro e violação sexual mediante fraude. O processo investiga fatos que teriam ocorrido entre 2012 e 2025, e envolve quatro mulheres. Os relatos das outras oito denunciantes são investigados separadamente pelo Ministério Público de Rondônia.
Mírian Rios, ex-integrante da Igreja Presbiteriana Gileade, é uma das mulheres que formalizaram a denúncia contra o pastor. Segundo ela, a confiança depositada nele teria sido utilizada para cometer os abusos.
Segundo os relatos apresentados ao UOL, mulheres que procuraram ajuda passaram a ser alvo de comentários sobre sua vida pessoal, saúde mental e comportamento. Em sermões e reuniões internas, as denúncias teriam sido classificadas como um suposto ataque espiritual contra a igreja e a família do pastor.
Mírian afirma que foi chamada de instável, depressiva e que teria desenvolvido uma paixão pelo religioso. Também relata que circularam informações falsas sobre sua vida pessoal e conjugal.
De vítima, fui transformada em prostituta e vilã", declarou.
Tribunal da igreja afastou pastor
O caso também foi investigado pela estrutura disciplinar da Igreja Presbiteriana do Brasil. Aluízio foi julgado e recebeu, por seis votos a quatro, a punição de afastamento ministerial por tempo indeterminado.
A decisão considerou, entre outros pontos um comentário sobre aparência física e os implantes de silicone de Mírian. Ele afirmou que a declaração foi uma bincadeira. Porém, o tribunal eclesiástico considerou insuficientes as provas relacionadas a contatos físicos no ambiente terapêutico.
As denunciantes criticaram a condução do procedimento religioso e afirmaram que suas vidas privadas foram expostas durante as audiências, com o objetivo de invalidar seus questionamentos.
Eu ainda acreditava que seria ouvida, acolhida e tratada com dignidade. A audiência foi um dos piores dias da minha vida. Diante de vários pastores, o advogado do acusado fez perguntas cruéis que, na minha percepção, buscavam me desestabilizar e desacreditar. Conversas íntimas mantidas em um contexto que eu acreditava ser terapêutico foram expostas. Em vez de o comportamento denunciado ser colocado no centro do julgamento, fui eu quem passou a ser julgada".
Relatos apontam denúncias antigas
A reportagem também apurou que os fatos vinham acontecendo desde a década de 1990. Uma das entrevistadas, identificada como Yasmin, disse que sofreu investidas quando tinha 19 anos e frequentava a casa pastoral. Ao procurar a liderança religiosa, ela afirmou que acabou responsabilizada pelo episódio, enquanto o pastor continuou no cargo.
Em 2006, outra mulher teria apresentado uma carta relatando abordagens inadequadas e beijos forçados. A denúncia foi arquivada por falta de testemunhas. Já em 2009, integrantes da liderança de jovens teriam alertado sobre o comportamento do religioso, mas, segundo os relatos, foram ameaçados com medidas disciplinares.
Defesa das vítimas critica atuação da igreja
A advogada Carla Begnini, que representa Mírian e outras mulheres no processo criminal, afirmou que a liderança religiosa teria contribuído para desestimular as denúncias.
De acordo com a advogada, a prisão preventiva foi necessária diante de possíveis interferências na investigação por meio de integrantes da liderança da igreja. A defesa das vítimas também informou ter registrado ocorrências policiais e ajuizado uma nova ação por danos morais após a publicação de ofensas contra Mírian nas redes sociais.
Outro lado
O UOL informou que procurou a defesa de Aluízio Vidal Flor e a liderança da Igreja Presbiteriana Gileade por e-mail e mensagens, mas não recebeu resposta de nenhuma das partes até o fechamento da reportagem.
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