Investigação da Polícia Civil apontou que o empresário André Maia de Oliveira, de 48 anos, indiciado por seis crimes após tentar invadir o apartamento da ex-companheira no bairro do Espinheiro, Zona Norte do Recife, manteve uma rotina de ameaças e vigilância da vítima durante anos.
O casal estava separado desde o último dia 6 de março, após cerca de 20 anos de união. Mas, desde 2023, a vítima declarava o desejo de se separar, diante do sofrimento pelas violências constantes. O inquérito citou que, naquele ano, o empresário ameaçou tirar a própria vida, sendo necessária a intervenção da Polícia Militar, que o encaminhou a um hospital psiquiátrico.
Ao retornar à residência do casal, ele demonstrou um melhor comportamento. Mas, segundo a investigação, "em um curto espaço de tempo, voltou a apresentar agressividade e comportamentos possessivos, instalando câmeras de monitoramento dentro da residência do casal, além de monitorar o celular da vítima".
O relato consta na primeira denúncia do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) contra o empresário. O documento foi obtido com exclusividade pela coluna Segurança.
"O inquérito policial revela o dano emocional causado a vítima, posto que o denunciado perturbou seu pleno desenvolvimento, degradou e visou controlar suas ações, comportamento, decisão, mediante ameaças, constrangimento, humilhação, chantagem, ridicularização, causando-lhe prejuízo à sua saúde psicológica e autodeterminação. Além da perseguição desencadeada a partir do rompimento do relacionamento de ambos, bem como de ameaças reiteradas", descreveu a promotora Glaucia Hulse de Farias.
Encaminhada à Justiça nessa terça-feira (31/03), a denúncia do MPPE é referente a crimes como violência psicológica, ameaças, perseguição e descumprimento de medida protetiva.
Caso a 2ª Vara de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher aceite a denúncia, o empresário vai se tornar réu. Ele permanece preso preventivamente.
INDICIAMENTO POR SEIS CRIMES
Quanto aos crimes atribuídos ao empresário após atirar várias vezes para tentar invadir o apartamento da ex-companheira, o MPPE ainda vai se posicionar. Na última sexta-feira (27), ele foi indiciado por tentativa de feminicídio, tentativa de homicídio qualificado (em relação às demais vítimas - sogra e filho, que estavam no apartamento), descumprimento de medida protetiva , invasão de domicílio qualificado, ameaça e injúria.
O crime foi na manhã de 18 de março. Câmeras do Edifício Vila Mariana registraram o momento em que André arrombou o portão do estacionamento com um carro e, com uma arma de fogo em punho e um galão de gasolina, tentou ter acesso ao apartamento da vítima. Sem sucesso, ele fugiu do local e se entregou à polícia no dia seguinte.
Em depoimento, afirmou à polícia que não tinha a intenção de matar a ex-companheira, mas de "assustá-la".
PEDIDO DE MEDIDA PROTETIVA
Inicialmente, a vítima procurou a delegacia para registrar queixa de ameaça e perseguição contra André em 12 de março deste ano. No dia seguinte, a medida protetiva de urgência foi concedida pela Justiça. Além disso, a polícia também solicitou que o registro de arma de fogo dele fosse suspenso.
Na avaliação da polícia, o empresário se indignou com a ordem judicial e planejou o crime contra a ex-companheira. No dia em que ele tentou invadir o apartamento, a ex-sogra e o filho do casal, de apenas 8 anos, também estavam no local.
Depois de fugir, sem conseguir consumar o crime, o empresário chegou a fazer novas ameaças por telefone à vítima.
"Eu tentei derrubar a porta, a gasolina está lá fora, para tocar fogo nessa m**** com vocês dentro. Vocês iam 'cravejar' no fogo do inferno. Tu entendesse ou queres que eu escreva? A sua vida, a partir de hoje, é um inferno", disse trecho da ligação.
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