A primeira advogada trans da Bahia, Fernanda Oliveira Borges, foi filmada retirando papéis escondidos nas próprias vestes durante encontros no parlatório do Presídio Estadual de Segurança Máxima de Serrinha, na Bahia, segundo investigação do Ministério Público da Bahia (MP-BA).
As imagens, registradas entre setembro de 2025 e janeiro de 2026, mostram ainda detentos ditando registros ligados à contabilidade do tráfico de drogas, ordens de cobrança de dívidas sob ameaça e anotações relacionadas a planejamento de sequestros, com a participação da advogada.
De acordo com o material obtido pela TV Globo e citado na investigação, Fernanda Oliveira Borges atuaria em favor de Marlos Araújo Souza Junior, conhecido como “Bolão”, “CRM” ou “JR”, vinculado ao Terceiro Comando Puro (TCP), com atuação em Senhor do Bonfim.
As investigações indicam que os profissionais utilizavam o parlatório do presídio para transmitir ordens relacionadas ao tráfico de drogas, armas e planejamento de crimes como homicídios e sequestros. Câmeras instaladas com autorização judicial registraram os encontros.
O MP-BA afirma que bilhetes com ordens de facções eram escondidos sob roupas íntimas para evitar fiscalização. As gravações também mostram diálogos com códigos usados pelos detentos para identificar drogas.
Foram apreendidos celulares, notebooks e documentos, além do bloqueio de bens e ativos financeiros dos investigados até o limite mínimo de R$ 10 milhões.
Advogada é filmada retirando bilhetes escondidos em roupa íntima durante visitas no parlatório de presídio de segurança máxima em Serrinha (BA), segundo investigação do MP-BA. Câmeras registraram também diálogos ligados a ordens do tráfico e crimes. pic.twitter.com/rFzPrcy2MH
— bnewsvideos (@bnewsvideos) July 6, 2026
Posição da defesa
A defesa de Fernanda Oliveira Borges informou que não vai se manifestar sobre o mérito das acusações neste momento e afirmou que adotará medidas para garantir os direitos constitucionais da cliente.
