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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

ONU pede que Tennessee não execute mulher que sobreviveu a injeção letal

"Abriu um sorriso enorme", relata jornalista sobre mulher que sobreviveu a execução

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu nessa quinta-feira (1º/10) que o estado do Tennessee, nos EUA, não faça uma nova tentativa de executar Christa Pike, de 50 anos. A condenada sobreviveu a duas aplicações de pentobarbital durante uma tentativa de execução por injeção letal realizada na noite de quarta-feira (30/9).

Pike foi levada para um hospital depois que o procedimento não resultou em sua morte. Segundo seus advogados e jornalistas que acompanharam a execução como testemunhas, ela continuou respirando e chegou a roncar de forma audível após receber as duas doses do medicamento.

O governador do Tennessee, Bill Lee, determinou a suspensão de todas as execuções previstas no estado até o fim de 2026 e ordenou uma investigação independente sobre o que ocorreu. O Departamento de Correção, por sua vez, afirmou que todos os procedimentos previstos no protocolo estadual foram cumpridos.

Condenação por assassinato

Pike foi condenada à morte pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, ocorrido em 1995, quando Pike tinha 18 anos. Ela foi condenada em 1996.

A execução faria de Pike a primeira mulher executada pelo Tennessee em mais de dois séculos. O estado é um dos mais de 20 dos Estados Unidos que ainda mantêm a pena de morte.

Durante o procedimento, testemunhas relataram que Pike reclamou de desconforto no braço e permaneceu viva por mais de uma hora após a aplicação dos medicamentos. Ela acabou sendo retirada da prisão em uma ambulância e encaminhada para atendimento médico.

ONU questiona nova tentativa

O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu que as autoridades estaduais desistam de qualquer nova tentativa de executar Pike.

Em manifestação publicada nas redes sociais, Türk afirmou que o caso evidencia questões relacionadas ao sofrimento provocado por tentativas malsucedidas de execução e também levantou questionamentos sobre garantias de julgamento justo. A ONU reiterou sua posição contrária à pena de morte.

A organização também informou que nove especialistas independentes em direitos humanos se juntaram ao apelo para que a pena de Pike seja comutada.

Disputa judicial

A tentativa de execução ocorreu depois de uma série de decisões judiciais tomadas ao longo do dia. Um tribunal federal havia suspendido temporariamente o procedimento para analisar um recurso da defesa, mas a Suprema Corte dos Estados Unidos posteriormente autorizou a execução.

Os advogados de Pike argumentavam, entre outros pontos, que ela sofreu abusos sexuais durante a infância e que essas circunstâncias deveriam ser consideradas no processo. O estado reconheceu em agosto a ocorrência dos abusos, mas manteve a decisão de executar a condenada.

Estado abre investigação

Após o fracasso da execução, o governo do Tennessee anunciou uma revisão independente do procedimento. O Departamento de Correção afirmou que o protocolo estadual foi seguido e que o pentobarbital previsto para a execução vinha sendo considerado eficaz em procedimentos anteriores.

O episódio foi o segundo problema envolvendo uma execução no Tennessee em 2026. Em maio, outra execução foi interrompida depois que a equipe responsável não conseguiu encontrar uma veia adequada para administrar a substância letal.

Agora, além da investigação sobre o procedimento, permanece em aberto a questão jurídica sobre o que poderá acontecer com Pike caso o estado tente novamente cumprir a sentença de morte.

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