A Operação Vérnix, que mirou Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e resultou na prisão da influenciadora digital Deolane Bezerra, em maio deste ano, investiga um esquema sofisticado de ocultação de patrimônio que utilizaria empresas e terceiros para movimentar recursos do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Outros investigados são Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, irmão de Marcola; Paloma Sanches Herbas Camanho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, também sobrinhos dele; e Everton de Sousa, conhecido como “Player”.
A coluna apurou que, na última terça-feira (4/11), o advogado Bruno Ferullo, que representa a família Camacho, protocolou resposta às acusações apresentadas pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). Ele sustenta que os elementos apresentados pelo órgão são insuficientes para comprovar a responsabilidade penal atribuída aos investigados.
Tanto Ferullo quanto José Albino Neto, advogado de Player, alegam que houve irregularidades nas investigações que resultaram na Operação Vérnix.
O que diz a investigação
Conforme noticiou o Metrópoles, a Operação Vérnix foi desencadeada a partir de uma investigação que começou em 2019. À época, policiais penais apreenderam bilhetes com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau.
Os recados revelaram elementos relacionados à dinâmica interna do PCC, à atuação de lideranças do crime organizado e a possíveis ataques contra agentes públicos.
A investigação levou a uma transportadora em Presidente Venceslau, posteriormente reconhecida judicialmente como instrumento utilizado pelo crime organizado para lavagem de dinheiro.
A descoberta deu origem à segunda fase da operação, batizada de Lado a Lado. Essa etapa trouxe à tona movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico suficiente e a utilização da transportadora como braço financeiro do PCC.
Durante a Operação Lado a Lado, as autoridades apreenderam um celular e analisaram trocas de mensagens de pessoas ligadas à facção. O conteúdo revelou indícios de repasses financeiros à Deolane Bezerra e apontou vínculos pessoais e comerciais da influenciadora com um dos gestores fantasmas da transportadora.
As investigações apontam para um esquema sofisticado de ocultação de patrimônio, que utilizaria empresas e terceiros para movimentar recursos atribuídos à facção criminosa. Segundo os investigadores, uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, no interior paulista, teria sido usada para lavar dinheiro da família de Marcola.
Segundo o Ministério Público, a organização criminosa era dividida em três núcleos:
Decisório: formado por Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder da facção, e seu irmão, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior.
Operacional: composto por Everton de Sousa, conhecido como “Player”, e Paloma Sanches Herbas Camanho, sobrinha do líder do PCC.
Financeiro: formado por Deolane e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, também sobrinho de Marcola.
As defesas de todos os acusados negam as imputações.
Ferullo afirma que a inclusão de Marcola na operação ocorreu “única e exclusivamente” por causa de um suposto apelido atribuído de forma equivocada em conversas de terceiros interceptadas durante as investigações.
O apelido, segundo a investigação, seria “Narigudo” e teria sido usado por outros envolvidos no esquema criminoso como codinome para o homem apontado como chefe do PCC. (Via: Metrópoles)
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