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quarta-feira, 15 de abril de 2026

Esquema de funcionários-fantasmas em gabinete de ex-deputado de PE desviou pelo menos R$ 2,8 milhões, diz polícia

A operação deflagrada pela Polícia Civil, nesta quarta-feira (15), pretende avançar nas investigações de um esquema de rachadinha e funcionários-fantasmas desenvolvido no gabinete de um ex-deputado estadual que atuou na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Entre 2015 e 2019, teriam sido desviados pelo menos R$ 2,8 milhões, segundo a investigação.

O inquérito policial indicou que mais de 30 contratados pelo gabinete, que recebiam salários entre R$ 6 mil e R$ 18 mil mensais, teriam participado do esquema. O nome do ex-deputado estadual não foi revelado oficialmente pela Polícia Civil.

"Tratava-se de um gabinete do crime para desvio de verbas públicas. Os funcionários fantasmas tinham que devolver quase a totalidade dos salários. Eles ficavam apenas com R$ 300", contou o delegado Juliano Ferronato, da 1ª Delegacia de Combate ao Crime Organizado, do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco).

A Polícia Civil começou a investigar o esquema de rachadinha em 2023, após o compartilhamento de provas de outro processo que estava sob responsabilidade do Ministério Público Federal (MPF), que apurou o desvio milionário de recursos públicos em obras de requalificação da BR-101, no Grande Recife.

O delegado Juliano Ferronato identificou que a organização criminosa responsável pela rachadinha no gabinete do ex-deputado estadual tinha uma divisão de tarefas definida.

"Verificou-se que o núcleo que operava o desvio era composto por oito membros, incluindo dois líderes políticos, operadores financeiros e operadores materiais, responsáveis pela logística da arrecadação e dos saques dos salários dos servidores para o repasse dos demais operadores líderes do esquema", disse.

O outro líder político a que o delegado se refere também é ex-deputado estadual e, à época dos fatos, já não atuava mais na Alepe.

"Para que o esquema fosse alimentado, havia um operador financeiro que movimentou valores extremamente relevantes, cerca de R$ 200 mil a R$ 2 milhões. Ele o elo entre as lideranças e os executores materiais do esquema: escolhia as pessoas, cobrava, por vezes exigia [o dinheiro]", explicou o delegado.

A suspeita da polícia é de que o esquema tenha gerado um prejuízo que pode chegar a R$ 6 milhões, caso os desvios tenham continuado até 2024.

A Operação Draft, como foi denominada, cumpriu oito mandados de busca e apreensão em endereços do Recife (a maioria na Avenida Boa Viagem), Olinda e Jaboatão dos Guararapes. Todos foram expedidos pela Diretoria Criminal de 2º grau — Órgão Especial do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).

"Na residência de um dos alvos houve dificuldade porque havia uma porta blindada e recusa do investigado em atender a polícia, foi necessário o uso de meios para romper essa barreira e adentrar no local", disse o delegado.

Duas barras de prata (avaliadas em cerca de R$ 100 mil) e cédulas estrangeiras (aproximadamente R$ 120 mil) estão entre os itens apreendidos confirmados na operação.

Não foram solicitadas as prisões preventivas dos investigados. Os crimes atribuídos são de peculato (desvio de dinheiro público), lavagem de dinheiro e concussão (quando o servidor exige vantagem indevida).

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