A suspeita de que um detergente da marca Ypê teria causado a internação de uma menina de 10 anos, no Rio Grande do Norte, foi descartada após exames laboratoriais confirmarem que a criança estava com uma infecção viral sem relação com o produto de limpeza.
A paciente recebeu alta hospitalar na última quarta-feira (20/5) e já está em casa. Segundo informações oficiais das autoridades de saúde, o diagnóstico apontou eritema infeccioso causado por parvovírus humano.
A informação foi confirmada pelo secretário estadual de Saúde do Rio Grande do Norte, Alexandre Motta. Segundo ele, os exames sorológicos apontaram que a menina foi diagnosticada com eritema infeccioso, doença causada pelo parvovírus humano e conhecida por provocar manchas vermelhas pelo corpo, além de sintomas como febre e dores de cabeça.
De acordo com o secretário, a hipótese inicial de contaminação pelo detergente não se confirmou durante a investigação conduzida pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap).
“Foi descartada a hipótese de que houvesse infecção por contaminação do produto Ypê. A criança tem uma doença benigna, sem maiores riscos, e já está em casa”, afirmou.
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Investigação sanitária
O caso ganhou grande repercussão após familiares relatarem que os sintomas teriam começado depois de a menina lavar as mãos com detergente enquanto tinha um pequeno corte em uma das mãos. A suspeita aumentou após notícias envolvendo lotes de produtos da marca que estavam sob investigação sanitária.
Segundo Alexandre Motta, houve comoção inicial porque circulou a informação de que a criança teria se contaminado após contato do produto com o ferimento, algo que não foi confirmado pelos exames médicos. Ele ressaltou ainda que os profissionais de saúde seguiram os protocolos padrões para investigação de doenças exantemáticas — enfermidades que causam manchas avermelhadas na pele.
A menina estava internada desde o dia 13 de maio no Hospital Varela Santiago, em Natal. Antes disso, ela havia sido atendida na UPA Pajuçara, na Zona Norte da capital potiguar. A mãe da criança, Tatiane Gomes, relatou que a filha nunca teve histórico de alergias ou doenças graves. Segundo a família, a menina apresentou manchas pelo corpo, dores intensas, perda de força nas pernas e dificuldade para andar.
“Minha filha ficou sem andar, perdeu as forças das pernas. Ela chegou aqui pelos braços do pai”, contou a mãe durante o período de internação.
Os familiares afirmaram que os primeiros sintomas surgiram após a criança voltar da escola. A direção da unidade de ensino teria informado à família que a menina apresentava manchas atrás da orelha e na palma da mão, justamente onde havia o corte.
Investigações prosseguem
Apesar de a investigação médica ter descartado ligação entre o detergente e o quadro clínico da criança, a marca Ypê continua no centro de uma investigação sanitária conduzida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
No último dia 7, a Anvisa determinou a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de diversos produtos fabricados pela Química Amparo após identificar falhas graves nos processos de produção da empresa.
A medida atinge detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes produzidos na unidade de Amparo, interior de São Paulo. Segundo a agência, apenas os lotes terminados com o número 1 foram incluídos na determinação.
As inspeções apontaram falhas nos sistemas de garantia da qualidade, na produção e no controle sanitário dos produtos, além da presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras analisadas anteriormente. A Anvisa informou que os problemas representam risco sanitário e possibilidade de contaminação microbiológica.
