O Nordeste concentra o maior número de unidades prisionais que terão regras mais rígidas para ampliar o isolamento de líderes das principais organizações criminosas que atuam no País. O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) prevê investimentos em tecnologia e adoção de protocolos de segurança máxima, semelhantes aos adotados nos presídios federais.
Das 138 unidades prisionais mapeadas, que concentram cerca de 80% das lideranças do crime organizado no País, 45 estão localizadas no Nordeste. Na sequência, estão o Sudeste (38), Norte (23), Sul (17) e Centro-Oeste (15).
A Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) não divulgou a lista com os nomes das unidades que receberão o reforço do projeto Padrão Segurança Máxima, que integra o programa Brasil contra o Crime Organizado - com promessa de R$ 11 bilhões em ações na segurança pública.
Em nota à coluna Segurança, a pasta justificou que, neste primeiro momento, não serão divulgados detalhes específicos "em razão de questões estratégicas, operacionais e de segurança , tendo em vista a necessidade de preservação das ações e operações relacionadas ao projeto".
Para as 138 unidades, o MJSP informou que já foram adquiridos 276 equipamentos de raio-X, com investimento de R$ 36 milhões. O planejamento prevê o envio de duas máquinas para cada presídio contemplado, com entregas previstas até o início do segundo semestre. Também foram adquiridos 138 scanners corporais, com valor de cerca de R$ 38 milhões.
"As tecnologias ampliam a capacidade de detecção de materiais ilícitos e reforçam os mecanismos de controle e rigor no acesso às unidades prisionais. Na prática, as medidas buscam impedir que celulares e outros itens apreendidos nas operações retornem aos presídios", afirmou o ministério.
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Também foram adquiridas 365 viaturas, com investimento superior a R$ 108 milhões. A meta é que, até o fim do ano, cada unidade receba três viaturas, sendo ao menos uma blindada.
"Há uma instrumentalização das pessoas para cometer crimes por meio da comunicação nas cadeias. Com investimento e inteligência aplicados de maneira qualificada, teremos resultados imediatos no enfraquecimento das organizações criminosas", declarou o secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ademar Borges.
OPERAÇÃO APREENDE 534 CELULARES
Uma operação do MJSP conseguiu apreender 534 celulares em 49 unidades prisionais do País.
A 11ª fase da Operação Mute, realizada entre 18 e 21 de maio, em 23 estados, mobilizou 2.854 policiais penais. Ao todo, foram realizadas revistas de 2.611 celas. As unidades que passaram pela fiscalização concentram aproximadamente 65.040 pessoas privadas de liberdade.
Com os resultados da 11ª fase da Operação Mute, os números acumulados desde 2023 somam 8,5 mil aparelhos celulares apreendidos em 680 unidades prisionais do País.
Em coletiva de imprensa, na sexta-feira (22), o secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, afirmou que a aplicação de tecnologia é fundamental para enfraquecer a comunicação ilícita nos presídios. E reforçou que a operação para apreensão de celulares será contínua e ocorrerá pelo menos duas vezes por mês em diversos estados.
"Mapeamos as unidades que aplicam golpes por meio de ligações telefônicas e vamos silenciar, em curto prazo, as ações criminosas desses indivíduos", disse.

