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terça-feira, 7 de julho de 2026

Fazenda da Maconha: Delegados investigados por suposta falha na custódia da droga são exonerados dos cargos

Os dois delegados de Polícia Civil do Ceará (PCCE) que se tornaram alvos de Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) no caso da suposta falha de custódia da maconha encontrada em Acopiara foram exonerados dos cargos.

Conforme documento a que a reportagem do Diário do Nordeste teve acesso, Marcos Sandro Nazaré de Lira, ocupante da função de delegado seccional da 4° Seccional do Interior Sul, e Vicente de Paula Rodrigues, delegado titular da Delegacia de Polícia Civil de Acopiara, foram afastados dos cargos desde o dia 29 de junho de 2026.

Em nota, a PCCE esclareceu que a decisão "trata-se, portanto, de efeito legal automático e temporário, não de antecipação de julgamento de mérito. Os delegados permanecem em atividade, mas fora das funções de chefia".

"A Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) informa que a exoneração dos dois delegados dos cargos em comissão decorre da instauração de Processo Administrativo Disciplinar (PAD), conforme a Portaria CGD nº 355/2026. A medida atende ao disposto no art. 43, parágrafo único, da Lei nº 13.441/2004, segundo o qual o policial civil de carreira que responde a processo administrativo-disciplinar fica impedido de permanecer em cargo comissionado, ou de ser nomeado para cargo comissionado ou função de chefia de qualquer natureza na Administração Pública Estadual, enquanto durar o julgamento do processo", diz a corporação.

O delegado Jaime de Paula Pessoa Linhares, presidente da Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado do Ceará (Adepol-CE) diz considerar o afastamento uma condenação antecipada e que traz um prejuízo financeiro aos delegados. "Vamos procurar rebater (as exonerações) juridicamente", afirmou.

Em nota, a assessoria jurídica da Adepol destacou que "as exonerações dos Delegados de Polícia decorreram da instauração de um processo administrativo disciplinar, medida esta que, a nosso ver, é completamente precipitada e desarrazoada, tendo em vista que sequer houve procedimento apuratório preliminar para se investigar o fato na sua amplitude e delimitar as responsabilidades, o que denota um açodamento que tem contornos de prejulgamento. Lamentamos, por demais, que se queira adotar essa toada a um caso tão sensível como esse".

Os advogados Leandro Vasques e Seledon Dantas acrescentam que "tal contexto não condiz com a imparcialidade e com aprofundamento que deveriam nortear as investigações, pessoalizando em duas autoridades policiais um problema de natureza ampla e institucional. Ademais, a espetacularização em torno do caso, que arrasta a investigação para o pelourinho da praça pública, atende não aos ideais de Justiça, mas a antecipação imprudente de conclusões".

PROCESSO ADMINISTRATIVO

Na última quinta-feira (2), o governador Elmano de Freitas confirmou a investigação e disse que a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública (CGD) vai "apurar responsabilidades" dos agentes responsáveis pela custódia da plantação de 290 mil pés de maconha encontrados em Acopiada, Interior do Estado.

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