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terça-feira, 14 de julho de 2026

Psiquiatra alerta sobre atirador de cinema que frequenta shopping em Salvador: 'Não pode ser tratado como quem não cometeu crime'

O psiquiatra baiano Antonio Pedreira, com mais de 45 anos de atuação na área de saúde mental, avaliou, em entrevista ao BNEWS, o caso de Mateus da Costa Meira, ex-estudante de Medicina condenado pelo ataque a tiros que matou três pessoas e deixou nove feridas em um cinema de São Paulo, em 1999.

Solto pela Justiça da Bahia em 2024, Mateus voltou ao convívio social e passou a frequentar locais como cafés, livrarias e salas de cinema do Shopping Barra, em Salvador, situação que gerou preocupação entre frequentadores e lojistas.

Para o especialista, a reinserção de pessoas com histórico de crimes violentos precisa ocorrer com acompanhamento e monitoramento. Segundo ele, características descritas em avaliações psicológicas e psiquiátricas podem indicar a necessidade de atenção especial no processo de retorno à sociedade.

Ao comentar a reação de medo entre frequentadores do Shopping Barra, o psiquiatra afirmou que a preocupação não deve ser tratada como algo individual ou irrelevante. Segundo ele, shoppings são espaços frequentados por pessoas em momentos de lazer e convivência familiar, e a presença de alguém com histórico de violência pode gerar insegurança em quem circula pelo local.

Psiquiatra cita possibilidade de personalidade psicopática
Durante a entrevista, o médico comentou os relatos sobre o histórico de violência envolvendo Mateus e afirmou que, diante das informações apresentadas, o caso poderia se enquadrar em uma avaliação de personalidade psicopática.

Além disso, ao avaliar o histórico atribuído a Mateus Meira, o psiquiatra afirmou que, caso confirmadas as características descritas nos laudos e relatos apresentados, o comportamento poderia se aproximar de um quadro de personalidade psicopática.

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“Pela descrição apresentada, ele se enquadraria nesse tipo de personalidade psicopática. A pessoa comete um determinado delito ou até um crime, tira a vida de outra pessoa e não demonstra arrependimento. Às vezes, chega a apresentar comportamentos que parecem contraditórios, como demonstrar uma aparente reabilitação e, posteriormente, voltar a praticar atos violentos. Na psicopatologia, isso é tratado como psicopatia social. São pessoas que podem apresentar uma conduta passivo-agressiva: aparentam ser cordatas, submissas e resignadas, mas podem revelar tendências vingativas e destrutivas”, afirmou.

Mateus foi condenado pelo ataque ocorrido em uma sala de cinema em São Paulo e, durante o período em que esteve preso, também teve um episódio de violência contra outra pessoa, segundo informações apresentadas durante a entrevista.

Retorno à sociedade e acompanhamento
O psiquiatra também destacou que a ressocialização é um dos objetivos do cumprimento de uma pena e afirmou que a prisão não deve ter apenas caráter punitivo. Segundo ele, a volta ao convívio social precisa ocorrer dentro de critérios de acompanhamento e avaliação.

“A finalidade de uma prisão não serve para punir a pessoa só, senão era feita ali, antigamente, o talião, dente por dente, olho por olho”, afirmou.

O médico também afirmou que a liberdade de uma pessoa deve considerar o impacto sobre outras pessoas. “Então, volto para o paradigma da justiça, de que a liberdade de um começa onde termina a do outro e vice-versa. Termina onde começa a do outro. Tem a ver, reciprocidade”, declarou.

Especialista defende liberdade monitorada
Questionado sobre como avaliar se uma pessoa está apta para retornar ao convívio social, Pedreira afirmou que casos com histórico de violência precisam ser analisados de forma individualizada.

“Se essa pessoa tem um passado de criminalidade manifesta e características que o laudo aponta como antissociais, com traços passivo-agressivos e personalidade psicopática, ela não pode ser tratada igual a uma pessoa que nunca fez nada a ninguém”, afirmou.

Segundo ele, pessoas com esse perfil precisam de acompanhamento após a saída do sistema prisional. “Ele precisa ser custodiado, acompanhado por alguém, para ser monitorado, como uma pessoa de risco potencial para o maior bem que a gente tem: a nossa vida”, disse.

Psiquiatra fala sobre possibilidade de mudança
Questionado sobre a possibilidade de uma pessoa com esse perfil mudar de comportamento ou voltar ao convívio social sem representar riscos, o psiquiatra afirmou que a resposta é complexa.

Segundo ele, manuais de referência da psiquiatria, como o DSM-III, DSM-IV e DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), mostram que esses quadros podem apresentar diferentes níveis de intensidade. Ele citou a chamada curva de Gauss, em que há uma variação entre casos mais leves, intermediários e aqueles considerados de maior gravidade.

“Essa resposta é difícil hoje na psiquiatria, por conta de que a gente sabe de que o ser humano é capaz de responder maravilhosamente a certos tratamentos e outros, simplesmente, não quer nem saber”, afirmou.

O que diz o shopping
Procurado pelo BNews, o Shopping Barra informou que está monitorando a situação envolvendo Mateus da Costa Meira. Em nota, o centro comercial afirmou ainda que as imagens que circularam recentemente nas redes sociais não são atuais, mas registros de 2024.