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quinta-feira, 9 de julho de 2026

Nordeste: Em liberdade, autor de chacina em cinema de SP é visto em shopping na BA e causa medo

Responsável pela chacina que matou três pessoas e feriu outras nove durante uma sessão de cinema no Morumbi Shopping, em São Paulo, em 1999, Mateus da Costa Meira voltou a frequentar centros comerciais após deixar a prisão. Hoje com 51 anos, ele passou a circular regularmente pelo Shopping Barra, em Salvador, na Bahia. A situação tem causado apreensão entre comerciantes, funcionários e frequentadores.

Condenado inicialmente a 120 anos de prisão pelo massacre ocorrido durante a exibição do filme “Clube da Luta”, Mateus deixou a unidade de custódia em 2024 por decisão da Justiça da Bahia. Desde então, tem sido visto em cafeterias, livrarias e até mesmo em salas de cinema do shopping localizado na capital baiana.

Presença em shopping gera preocupação

Segundo relatos publicados pelo jornal O Globo, a presença de Mateus passou a ser registrada por frequentadores, que compartilham fotografias dele em grupos de mensagens. Vendedores afirmam sentir receio ao encontrá-lo no centro comercial.

Uma comerciante relatou que inicialmente teve dúvidas sobre a identidade do homem, mas a informação rapidamente se espalhou entre os trabalhadores do shopping. O Shopping Barra é um dos principais centros comerciais de Salvador, reúne mais de 300 lojas, possui complexo de cinema com oito salas e recebe cerca de 50 mil visitantes diariamente.

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Relembre a chacina no Morumbi Shopping

O ataque aconteceu em novembro de 1999. Armado com uma submetralhadora, Mateus entrou em uma sala de cinema do Morumbi Shopping e abriu fogo contra o público durante a sessão do filme “Clube da Luta”. Três pessoas morreram e outras nove ficaram feridas.

Durante a investigação, ficou comprovado que o crime havia sido planejado. Segundo os autos, ele comprou a arma, adquiriu munições, consumiu cocaína antes do ataque e chegou a se hospedar em um hotel para dificultar sua localização pelas autoridades.

Na época, uma junta formada por psiquiatras e psicóloga concluiu que, apesar de apresentar transtornos mentais, ele tinha plena capacidade de compreender o caráter criminoso de seus atos. Em 2003, acabou condenado pelo Tribunal do Júri.

Tentativa de homicídio dentro da prisão mudou o rumo do caso

Transferido para a Penitenciária Lemos Brito, em Salvador, em 2004, Mateus voltou ao centro das atenções após atacar um detento com golpes de tesoura. Durante esse novo processo, a defesa voltou a sustentar que ele era inimputável por problemas psiquiátricos. Diferentemente do julgamento realizado em São Paulo, a Justiça baiana acolheu esse entendimento. Os jurados reconheceram a inimputabilidade, e o então juiz determinou sua absolvição imprópria, com internação em hospital de custódia por tempo indeterminado.

Soltura ocorreu em 2024

Após anos de internação, novas avaliações levaram à decisão judicial que autorizou a desinternação de Mateus em 2024. Na ocasião, ficou estabelecido que ele deveria permanecer sob tratamento psiquiátrico e morar com os pais, responsáveis por acompanhar a administração da medicação. Entretanto, segundo a reportagem, atualmente ele vive sozinho em uma quitinete em Salvador, localizada a poucos quarteirões do Shopping Barra.

Especialistas afirmam que ele continua perigoso

Psiquiatras que participaram das avaliações ao longo dos anos afirmam que Mateus ainda representa risco. A psiquiatra Hilda Morana, que o avaliou durante quatro meses em São Paulo, declarou que ele possui traços de psicopatia, alta capacidade de manipulação e não deveria estar em liberdade.

Outra especialista, Grace Adriana Lopes Conceição, que trabalhou no Hospital de Custódia da Bahia, também afirmou considerar o ex-estudante perigoso. Segundo ela, o risco decorre principalmente de sua personalidade antissocial, marcada pela ausência de empatia, frieza e capacidade de planejamento.

Advogado e conhecidos dizem ter medo

O advogado Vivaldo Adaes, que atuou na defesa de Mateus durante parte do processo, afirmou ter encerrado a representação após a soltura por receio de sofrer represálias. Segundo ele, o ex-estudante mantinha uma lista de pessoas que pretendia matar, incluindo antigos advogados, integrantes do júri, jornalistas, psicólogos, médicos e funcionários do sistema prisional. Um médico que estudou com Mateus também relatou tê-lo encontrado recentemente no shopping e afirmou que preferiu se afastar ao vê-lo circulando com uma mochila.

Ministério Público foi contra liberdade

Apesar da decisão que colocou Mateus em liberdade, o Ministério Público da Bahia se manifestou contra sua soltura e recorreu para tentar manter a medida de internação.

Até o momento, o Tribunal de Justiça da Bahia, o Ministério Público e os familiares de Mateus não comentaram publicamente os relatos sobre sua rotina após deixar a unidade de custódia.