Quatro jovens foram condenados a 15 anos de prisão em regime fechado pelo estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em um apartamento em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. A sentença, divulgada nesta quarta-feira (14), manteve a prisão preventiva dos réus e determinou o pagamento de indenização por danos morais à vítima, no valor total de 40 salários mínimos, dividido entre os condenados.
Como ocorreu o crime
Os condenados são Vitor Hugo Simonin, de 18 anos, Bruno Allegretti, de 18, João Gabriel Bertho, de 19, e Matheus Veríssimo, de 19. O crime ocorreu em 31 de janeiro de 2026.
Segundo o relato da adolescente à Justiça, ela foi ao apartamento após receber um convite de um adolescente com quem havia concordado em manter relação sexual. No imóvel, outros quatro homens entraram no quarto e a violentaram contra a vontade dela.
A vítima relatou ter sofrido socos, tapas e puxões de cabelo, além de ter sido contida fisicamente e impedida de deixar o apartamento.
Juiz rejeitou versão das defesas
Os quatro condenados negaram o estupro e alegaram que as relações sexuais foram consentidas. As defesas também sustentaram que a adolescente teria inventado a denúncia por medo de uma gravação. A hipótese foi rejeitada pelo juiz João Zacharias de Sá.
Na sentença, o magistrado considerou coerentes os relatos da vítima e mencionou exames que identificaram lesões físicas. Ele também destacou que o depoimento da vítima tem relevância em crimes sexuais quando encontra confirmação em outros elementos de prova.
A decisão afirma que a recusa da vítima deve ser respeitada, independentemente do que ocorreu antes do ato sexual. Segundo o entendimento expresso pelo juiz, prosseguir após a recusa, com violência ou grave ameaça, configura estupro.
Adolescente envolvido foi internado
Um adolescente também respondeu pelo caso na Justiça da Infância e da Juventude. Em abril, a Justiça determinou sua internação por seis meses em uma unidade do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase).
Ele responde por ato infracional análogo a estupro e teve a identidade preservada por ser menor de idade.
Segundo a Polícia Civil, o adolescente foi o mentor do crime e convenceu a jovem a ir ao apartamento. Ele era ex-namorado da vítima e, conforme a investigação, teria enviado mensagens convidando-a para o imóvel de um amigo.
Ao chegar, a adolescente foi informada de que ele estava acompanhado de quatro amigos. De acordo com a polícia, o jovem propôs “algo diferente”, mas ela recusou. Dentro do apartamento, os outros homens teriam entrado no quarto e forçado relações sexuais com a vítima.
Após deixar o imóvel, a adolescente procurou a polícia para registrar a ocorrência. Ela passou por exames que identificaram marcas compatíveis com agressões físicas e sexuais.
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