Para pacificar sua gente e tentar
contornar a crise, o Brasil precisa convocar novas eleições presidenciais. Esse
é o desejo de 79% dos brasileiros, informa o Datafolha.
Só há duas formas de satisfazer esse anseio coletivo sem brigar com a
Constituição: ou Dilma e Temer pedem para sair ou o TSE enxerga tudo o que está
na cara e manda a dupla para casa antes do fim do ano, disparando o gatilho
constitucional da nova eleição.
Fora
disso, só trocando de povo. Esse povo que está aí é muito exigente. Quer o
impeachment de Dilma (61%). Mas também quer o impedimento de Temer (58%). A
maioria (60%) se daria por satisfeita com a dupla renúncia. Cético, o povo
parece brincar com a hipocrisia dos políticos como quem brinca de roleta russa,
na certeza de que a sinceridade que eles manipulam está completamente
descarregada.
Dilma
fala da crise econômica como se lidasse com uma virose de causa desconhecida.
Para evitar que os rivais obtenham na Câmara 342 votos pró-impeachment, ela
virou uma grande compositora. Compõe com qualquer um. Como boneca do
ventríloquo Lula, propõe diálogo a quem precisa de interrogatório —Ciros e
Jáderes, Renans e Valdemares, Sarneys e outros azares. Triste ocaso.
Temer
faz pose de futuro a bordo do PMDB, um transatlântico perfeitamente integrado
ao Brasil do faturo. Distribui acenos no convés. E delega a operação da casa de
máquinas a Romero Jucá e Eduardo Cunha. Articulam-se com os mesmos azares que
tricotam com o governo. A Lava Jato informa que todos têm telhado de vidro,
paletó de vidro, gravata de vidro, camisa de vidro, calça de vidro… Tudo é de
vidro, exceto a cara, que é de pau.
A
alternativa revela-se tão temerária (sem trocadilho), que consegue atenuar os
temores em relação a Dilma. Há 23 dias, apoiavam o impeachment da presidente
68% dos brasileiros. O índice caiu sete pontos. Reprovavam o governo de madame
69% dos entrevistados pelo Datafolha. Hoje, a taxa de reprovação é de 63%. Uma
queda de seis pontos.
Entre
uma pesquisa e outra, o Brasil não mudou de rota. Continua a caminho do brejo.
A única coisa que se ajustou foi o discurso de Dilma, Lula e Cia.. Grudaram em
Temer a pecha de oportunista e a má fama de Eduardo Cunha. Trombetearam o fato
de que, sob Temer, Eduardo Cunha passaria a ser o número 2 da República.
O
povo, que já conhece bem o seu país, sabe como isso vai acabar. O Brasil deixou
de ser imprevisível. Tornou-se um país tristemente previsível. Daí as três
alternativas: ‘Fora, Dilma e Temer’, ‘TSE neles’ ou ‘Fora, povo’.
Blog: O Povo com a Notícia
Via: Josias de Souza

