O Brasil só conseguiu vacinar até agora um terço das pessoas que integram grupos classificados como prioritários para a vacinação contra a Covid-19 e que já foram chamados para tomar a primeira dose, segundo um estudo feito por pesquisadores com base em dados do Ministério da Saúde.
Ligados à Rede de Pesquisa Solidária, os especialistas calculam que 32% dos integrantes desses segmentos da população já receberam a primeira aplicação, e somente 10% a segunda, considerados os registros compilados pelo ministério nos primeiros 49 dias da vacinação, até o último dia 6.
Os dados mostram que apenas 56% dos profissionais de saúde, 54% das pessoas com mais de 80 anos de idade e 55% dos indígenas conseguiram receber a primeira dose até agora, embora todos nesses grupos tenham lugar garantido na frente da fila desde o começo da vacinação, em janeiro.
Parte do problema é a inconsistência dos critérios para estabelecer prioridades, dizem os pesquisadores. Embora todos os profissionais da saúde possam entrar na fila, a insuficiência de vacinas tem levado prefeituras e governos estaduais a vacinar primeiro os mais velhos ou que estão na linha de frente.
O levantamento também aponta grande desigualdade regional nos resultados alcançados até aqui. Quase dois terços das pessoas com mais de 80 anos de idade já receberam a primeira dose no Norte e no Centro-Oeste. No Nordeste e no Sul, a cobertura ainda é inferior à metade do grupo populacional.
Nos cálculos dos pesquisadores, isso seria mais do que suficiente para aplicar duas doses nos 77 milhões de pessoas dos grupos considerados mais vulneráveis, mas não para atingir o grau de cobertura que seria necessário para proteger o conjunto da população em idade adulta contra a Covid.
Mesmo que a vacinação demore a atingir cobertura mais ampla, a imunização dos grupos mais vulneráveis tende a contribuir para reduzir de forma expressiva os casos mais graves da doença e a necessidade de internação para tratamento, aliviando a pressão que os hospitais sofrem atualmente.
Além da aceleração dos esforços para aquisição de vacinas, o grupo sugere a criação de mecanismos de coordenação, incluindo um comitê técnico para rever o Plano Nacional de Imunização, composto por representantes indicados pelos três Poderes, pela comunidade científica e pela sociedade civil.
Os pesquisadores propõem a fixação de metas de cobertura para imunização dos grupos definidos como prioritários, de no mínimo 90%, e sugerem que novas etapas da campanha de vacinação sejam iniciadas somente depois que a cobertura dos grupos chamados primeiro atingir o mínimo de 70%.
Eles também defendem a ampliação dos horários de atendimento da população e campanhas publicitárias nos meios de comunicação e na internet. "A falta de vacinas interrompe o processo de imunização da população e gera descrédito", diz Werneck. "A comunicação pode ajudar a conter esse efeito." (Via: Folhapress)
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