Três dias após morta pelo ex-companheiro e diante da própria filha, Vera Lúcia da Silva, 41 anos, voltou a ser alvo de violência mesmo depois de sepultada.
Segundo a Polícia Civil, o túmulo onde ela foi enterrada, no cemitério de Eldorado, no sul de Mato Grosso do Sul, foi violado durante a madrugada entre terça (14) e quarta-feira (15).
A cena encontrada no local chocou até quem está acostumado com rotina de perícia. O corpo tinha indícios de necrofilia (uso de cadáver como objeto sexual). De acordo com o Correio do Estado, a suspeita ainda depende de laudos técnicos mais detalhados, mas os primeiros sinais já indicavam que a violação não se limitou à retirada do cadáver.
Para a família, ainda atravessando o impacto do feminicídio, a notícia caiu como mais um golpe difícil de assimilar. O enterro havia acontecido poucos dias antes. Nem houve tempo de elaborar o luto.
Há indícios de que pelo menos dois homens participaram da ação. Eles teriam invadido o cemitério durante a noite, aberto a sepultura e retirado o corpo. Até agora, ninguém foi identificado ou preso.
O que começou como um crime brutal dentro de casa ganhou contornos ainda mais perturbadores fora dela. A polícia agora trata o episódio também como violação de sepultura e vilipêndio de cadáver, enquanto tenta esclarecer quem está por trás da invasão.
O relacionamento havia durado mais de uma década. Terminou, mas não se encerrou de fato: havia histórico de agressões e medidas protetivas em vigor. Ainda assim, o desfecho foi o mais previsível e, ao mesmo tempo, o mais evitável.
Servidora da área da educação, formada em Pedagogia, Vera era descrita por colegas como alguém presente, dedicada, dessas que fazem falta no cotidiano da escola. Deixa quatro filhos. A prefeitura decretou luto oficial.
A lista é longa e recente. Em janeiro, duas mulheres foram assassinadas em intervalos de poucos dias, em Bela Vista e Corumbá. Fevereiro trouxe mais nomes, incluindo uma jovem de 18 anos morta pelo namorado em Três Lagoas. Março seguiu no mesmo ritmo, com crimes em Anastácio, Dourados e outros municípios, alguns com requintes de crueldade que chocaram até investigadores experientes.
Antes de Vera, a subtenente Marlene de Brito Rodrigues havia sido encontrada morta dentro de casa, ainda fardada.
