A Polícia Federal (PF) encontrou mensagens trocadas entre Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e Roberta Luchsinger, investigada por suspeitas de tráfico de influência e de usar a proximidade com Lulinha para facilitar negócios e acesso ao governo.
Segundo as mensagens, os dois tratavam de negócios, lobby e reuniões com integrantes do núcleo próximo ao presidente. A informação é do colunista Tacio Lorran, do Metrópoles.
Na mesma conversa, Lulinha revela que participava de reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, e Swedenberger Barbosa, o Berger, então secretário-executivo do Ministério da Saúde.
Segundo as informações fornecidas, os diálogos indicam que Lulinha não apenas tinha conhecimento dos interesses e da atuação de Roberta, mas também comentava, coordenava e participava de reuniões relacionadas aos negócios.
Em uma das transferências, o empresário teria informado a um interlocutor que o dinheiro era destinado ao “filho do rapaz”. Segundo a Polícia Federal, a expressão pode ser uma referência a Lulinha.
O “Careca do INSS” teria tentado emplacar um contrato milionário para a compra em larga escala de cannabis medicinal pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo as informações fornecidas, Berger teria aberto as portas do Ministério da Saúde para o lobista.
Em um dos diálogos, Roberta diz a Lulinha que Fernando estaria usando o nome dele para tentar fechar um “negócio gigante” na Telebras.
“Ja desmentiu?”, pergunta Lulinha.
“Desmenti e falei q não eh verdade e q se ele [Fernando Bittar] fizer negócio com ele [presidente da Telebras], ele não fará comigo”, responde Roberta.
Segundo as informações fornecidas, os diálogos indicariam que Fernando Bittar vinha sendo preterido nos negócios entre Lulinha e Roberta.
Em outra conversa interceptada, de 29 de abril de 2024, Roberta e Marcola conversam sobre joias de diamante, na véspera do Dia das Mães.
“Vou tentar desenhar na foto / para facilitar”, diz Marcola.
Roberta responde: “Ela vai mandar mais fotos / Peraí”.
Marcola afirma: “ah ta bem / mas gostei dessas”.
Na sequência, Roberta diz: “Ela sugeriu um brilhante / Vai mandar”.
A lobista então envia duas fotos, de um par de solitários e de um colar de diamantes. Marcola responde: “boa”.
Não fica claro nas mensagens quais joias Marcola indicou ter gostado.
“Vive de forma digna, exclusiva e modesta com o resultado do seu próprio trabalho. A quebra do seu sigilo fiscal e bancário é reveladora da ausência absoluta de qualquer prova ou indício de irregularidade”, afirmou Marco Aurélio de Carvalho, advogado de Lulinha.
Roberto Podval, advogado de Roberta Luchsinger, não quis comentar o caso em razão do sigilo do inquérito.
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