O publicitário Renato Meirelles,
autor do livro Um Pais Chamado Favela, recomendou aos participantes do encontro
RioMar com o Mercado, em palestra nesta terça-feira, no Recife, que eles não
desistam da classe C, apesar da grave crise econômica atual.
“O
Brasil mudou e vai continuar mudando. Quem vê cara, não vê mais bolso neste
País. A classe C vai movimentar muito dinheiro ainda neste País. A maioria está
fazendo o seupróprio ajuste fiscal, dando suas pedaladas fiscal doméstica para
driblar a crise, mas no final elas não vão desistir do que já conquistaram. O
mercado que mais cresce no Brasil representa vendas de R$ 68,5 bilhões”,
declarou.
“A
boa experiência de compra vale para todo mundo. A democratização do consumo,
embora tenha incomodado a elite, veio para ficar, não importa o que a elite
pense da nova classe média. Embora a percepção de que a crise econômica seja
comum, individualmente, no plano pessoal, 65% das pessoas pesquisadas pelo Data
Popular afirmam que a vida pessoal vai melhorar. Sabe a razão? Não depende dos
economistas nem dos políticos, depende só do trabalho delas. Assim, a crise
mais de perspectiva, não tem a ver com direita ou esquerda, nem com governo nem
oposição”, defendeu.
Depois
de convidar as pessoas a olharem o Brasil pela ótica dos brasileiros, Meirelles
disse que a crise faria surgir um monte de oportunidades, desde que os
empreendedores estivessem focados na massificação dos produtos ou serviços. “O
Brasil é desigual… o mundo é desigual, mas se olharmos para as perspectivas da
evolução das classes, vemos que as classes médias e alta vão crescer (gerando
mais oportunidades de consumo)”, frisou.
Na
palestra, o consultor disse que, por questões culturais, no Brasil rico é
sempre o outro, mas que muitos emergentes, apesar de terem renda, terem crédito
e não serem parecidas com as patroas, acabam não fechando vendas em algumas
lojas que lhe sejam pouco receptivas. “vocês é que perdem a venda, vocês é que
perdem o negócio”, afirmou, recomendando que as empresas definam bem se desejam
operar no mercado da fartura (para todos) ou da exclusividade (para poucos).
Para
exemplificar os nichos de mercado, Renato Meirelles citou alguns números
pesquisados por ele na economia local, embora sem citar fonte alguma.
“De
cada R$ 100 gastos em alimentação em casa, R$ 57 vem da classe C. De cada R$
100,00 gastos com alimentação fora de cas, 58% é da classe C. 57% do que se
gasta com roupa é maior do que a soma dos gastos da classe A e B. Por mais que
seja grande o closet da pessoa e ela seja rica, ela não veste três ou quatro
camisas (é melhor vender para mais gente). Ou 61% dos produtos de higiene. São
1,9 bilhão dos 3,3 bilhões/ano”, citou.
Renato Meirelles é presidente do
Instituto Data Popular, que surgiu da necessidade de entendimento da população
e crescimento das classes C, D e E e sua visão de mundo. O empreendedor também
é co-autor do livro “Um País Chamado Favela”, que trata da realidade de 63
favelas brasileiras distribuídas em 35 cidades, onde 94% dos moradores revelam
que não sairiam de onde estão nem mesmo que a sua renda mensal dobrasse.
À
frente do Data Popular, Renato Meirelles já conduziu mais de 200 estudos sobre
o comportamento do consumidor de baixa renda no Brasil. (Via: Blog do Jamildo)
Blog: O Povo com a Notícia

