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quarta-feira, 4 de março de 2026

Caso Banco Master ganha dimensão internacional após invasão ao sistema do FBI


A terceira fase da Operação Compliance Zero revelou um novo e explosivo capítulo nas investigações contra o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master.

De acordo com decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornada pública nesta quarta-feira (4), o empresário teria conseguido acesso indevido a sistemas internos da Polícia Federal (PF), do Ministério Público e até de bases ligadas ao Federal Bureau of Investigation (FBI),  principal agência de investigação criminal e serviço de inteligência dos Estados Unidos. A informação foi divulgada pela coluna de Malu Gaspar, de O Globo.

Segundo o documento, um funcionário de confiança de Vorcaro, identificado como Luis Phillipi de Moraes Mourão, apelidado de “Sicário” nas investigações, utilizava senhas de terceiros para entrar em plataformas restritas de órgãos públicos. O objetivo seria realizar consultas e extrair dados sigilosos de sistemas utilizados por instituições de segurança e investigação.

A decisão aponta que Mourão recebia cerca de R$ 1 milhão por mês para prestar esse tipo de serviço. Também integra o núcleo investigado o ex-policial Marilson Roseno da Silva. Ambos, ao lado do empresário Fabiano Campos Zettel, ex-cunhado de Vorcaro, participariam de um grupo de WhatsApp chamado “A Turma”.

Grupo articulava intimidações e ofensivas
De acordo com a investigação, as conversas do grupo não se limitavam ao monitoramento de informações sensíveis. O material apreendido indica que eram discutidas ações de intimidação contra adversários, incluindo concorrentes, ex-funcionários e jornalistas que publicaram reportagens sobre o Banco Master.

Entre os episódios citados na decisão está um plano direcionado ao jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo. Conforme os autos, Vorcaro teria sugerido a simulação de um assalto para agredir o profissional. Em troca de mensagens, há menção explícita à intenção de “dar um pau” e “quebrar todos os dentes” do jornalista, proposta que recebeu sinal verde no diálogo interceptado.

Prisões decretadas
Diante do conjunto de indícios, o ministro André Mendonça determinou a prisão preventiva de Vorcaro, Mourão, Marilson Roseno e Fabiano Zettel. A decisão sustenta que as medidas são necessárias para interromper a suposta atuação do grupo e preservar a instrução criminal.

A operação apura possíveis crimes de ameaça, invasão de dispositivos informáticos, corrupção e lavagem de dinheiro. As diligências contam com apoio técnico do Banco Central do Brasil.

Impacto institucional
O suposto acesso clandestino a sistemas da Polícia Federal, do Ministério Público e até a bases ligadas a autoridades internacionais amplia o alcance e a gravidade do caso. Se confirmadas, as condutas representam não apenas interferência em investigações sensíveis, mas também risco à integridade de dados estratégicos de órgãos de Estado.

As defesas dos investigados ainda não haviam se manifestado detalhadamente sobre as novas acusações até a última atualização desta reportagem.

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