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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Cresce interesse dos jovens conservadores e cristãos pela carreira militar

Mais da metade dos jovens brasileiros, entre 18 e 26 anos, afirma ter disposição para seguir carreira nas Forças Armadas ou na Polícia Militar. Além do crescimento do número de interessados - quando comparado ao resultado de pesquisa semelhante realizada quatro anos antes -, o estudo acadêmico apontou que o perfil deles é mais conservador e cristão (sobretudo evangélico).

Os dados, coletados em novembro de 2025 com a consulta a 2.032 jovens de todas as regiões do Brasil, fazem parte da pesquisa "Becoming or getting by" ("Tornar-se ou sobreviver", em tradução livre), conduzida pelo King's College London em parceria com as universidades federais de Pernambuco (UFPE) e de Minas Gerais (UFMG), além da Sciences Po, na França.

A partir desse levantamento, os resultados foram comparados aos obtidos em 2021, quando a pesquisa foi realizada pela primeira vez.

Quando perguntados se considerariam uma carreira militar no Exército, na Marinha ou na Aeronáutica, a proporção de jovens que responderam "definitivamente sim" saltou de 19,9% para 30,7%, um crescimento de mais de dez pontos percentuais em quatro anos.

Ao se somarem as respostas "definitivamente sim" e "provavelmente sim", o interesse geral passou de 43,8% para 55,6%, superando, pela primeira vez, a marca da maioria dos entrevistados.

VALORES CONSERVADORES

A segunda edição da pesquisa traçou o perfil desses jovens brasileiros e a motivação pela carreira militar. Os pesquisadores concluíram que os evangélicos são os mais interessados, enquanto os católicos também demonstram uma preferência ligeiramente maior por uma carreira na Polícia Militar do que aqueles sem afiliação religiosa.

"Outra possível interpretação é que os entrevistados evangélicos podem perceber as carreiras militares como mais legítimas institucionalmente ou moralmente alinhadas com sua visão de mundo, especialmente considerando o contexto político dos últimos anos. Durante o governo Bolsonaro, as Forças Armadas não apenas tiveram grande visibilidade no discurso público, como também foram frequentemente apresentadas como garantidoras da estabilidade, da soberania nacional e da ordem moral", apontou a pesquisa.

O estudo indicou também o papel do conservadorismo na determinação das escolhas de carreira. "Indivíduos com visões conservadoras são mais propensos a escolher carreiras na polícia militar ou nas forças armadas, alinhando-se aos valores tradicionais dessas instituições."

MOTIVAÇÃO

Em relação à motivação dos jovens para seguir a carreira militar, eles destacaram a valorização do salário, da estabilidade, do auxílio-alimentação e dos benefícios materiais. "Além disso, os pacotes especiais de aposentadoria e pensão disponíveis para militares no Brasil representam um incentivo significativo a longo prazo", apontou a pesquisa.

Outro ponto relevante é a influência da covid-19. Na avaliação dos pesquisadores, o estudo sugeriu que os desafios econômicos da pandemia podem ter aumentado o interesse dessas profissões militares entre os jovens brasileiros.

PRÓXIMOS PASSOS DA PESQUISA

Na avaliação de Dalson Figueiredo, professor do Departamento de Ciência Política da UFPE e um dos autores da pesquisa, explica que o principal achado foi o crescimento do interesse em carreiras militares, visto que a proporção de respondentes com disposição em seguir esse tipo de trabalho cresceu cerca de 25% em quatro anos.

O próximo passo do estudo será a realização de entrevistas com jovens e integrantes das Forças Armadas e Polícia Militar para compreender melhor os motivos pessoais e as expectativas institucionais na carreira, respectivamente.

"A nossa meta é manter a pesquisa em ondas contínuas, de modo a garantir uma série de informações longitudinais disponíveis para outros estudos", disse.

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