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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Justiça proíbe que ex-diretor da Penitenciária de Petrolina, suspeito de corrupção, retorne às funções

A Justiça negou o pedido feito pela defesa de Alessandro Barbosa Martins de Sousa, ex-diretor da Penitenciária Dr. Edvaldo Gomes, para que ele retornasse às funções públicas. A decisão atendeu ao parecer contrário do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que pontuou que Alessandro é investigado por supostamente liderar um esquema de corrupção na unidade prisional localizada em Petrolina, no Sertão do Estado.

Na decisão, a 1ª Vara Criminal da Comarca Petrolina destacou que o ex-diretor já não está mais usando tornozeleira eletrônica. Mas, diante das suspeitas de que ele utilizava as funções públicas para praticar os crimes, a manutenção do afastamento das atividades é necessária ao menos até a conclusão do inquérito.

Alessandro foi afastado das atividades em agosto de 2025, quando foi deflagrada a Operação Publicanos. Na ocasião, o ex-diretor e cinco policiais penais foram alvos de busca e apreensão. O inquérito segue em andamento, com dezenas de investigados - entre servidores públicos e detentos.

No parecer à Justiça, o MPPE afirmou que o ex-diretor valia-se do cargo para "negociar privilégios, transferências, funções de 'chaveiros' e 'cantineiro', além de facilitar regalias a detentos de alta periculosidade, em troca de vultosas vantagens indevidas".

Alessandro estava à frente da penitenciária desde 2015. A investigação da Polícia Civil identificou que ele e a esposa movimentaram mais de R$ 3,3 milhões desde abril de 2022. O valor é considerado incompatível com a renda mensal declarada pelo casal.

A Polícia Civil suspeita que valores teriam sido repassados ao gestor como propina para liberação de entrada de drogas, bebidas alcoólicas, celulares e negociação de venda de cantinas e até camas na unidade prisional.

Outra prova apontada pelo MPPE é que Alessandro teria teria exigido a quantia de R$ 5 mil de cada pavilhão da unidade como "presente de aniversário", além de valores extras para compra de motos e "patrocínio" de festa pela aprovação de um filho no vestibular.

Estão sendo apurados os crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e introdução de aparelho telefônico de comunicação móvel em presídio.

A defesa do ex-diretor nega as suspeitas.

JUSTIÇA DÁ PRAZO PARA CONCLUSÃO DE INVESTIGAÇÃO

A decisão judicial também determinou que, em até 30 dias, a Polícia Civil apresente o relatório final da investigação sobre o esquema de corrupção.

Caso contrário, o delegado responsável deve indicar "justificativa objetiva e individualizada de eventual impossibilidade de conclusão".

Em parecer antes dessa decisão judicial, o MPPE ressaltou que se trata de investigação "de altíssima complexidade", com dezenas de investigados divididos em núcleos e que, por isso, o inquérito ainda estava em andamento. (Via: Ronda Jc)

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