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terça-feira, 2 de junho de 2026

Brasil está entre os países com mais ataques de tubarão do mundo; o que falta para reduzir os casos?

Dos 107 incidentes registrados no país, ao menos 84 ocorreram em Pernambuco desde 1992, concentrando a maior parte dos casos

O Brasil está entre os primeiros países no ranking mundial com mais ataques de tubarão, segundo dados da International Shark Attack File (ISAF). Dos 107 incidentes registrados no país, ao menos 84 ocorreram em Pernambuco desde 1992, concentrando a maior parte dos casos nacionais.

Os números voltaram a chamar atenção após dois novos incidentes registrados entre domingo e segunda-feira, envolvendo um menino de 11 anos e uma jovem de 19 anos. Os casos reacenderam um debate antigo: o que está sendo feito para evitar que novas vítimas sejam registradas?

Especialistas apontam que a origem do problema é conhecida há mais de três décadas. A construção do Complexo Portuário de Suape, iniciada nos anos 1970 e ampliada nas décadas seguintes, alterou significativamente o ecossistema costeiro da região. Manguezais foram degradados, rotas migratórias de tubarões foram impactadas e áreas utilizadas para reprodução de espécies, como o tubarão-cabeça-chata, sofreram alterações. 

Segundo pesquisadores, essas mudanças contribuíram para aproximar os animais das praias da Região Metropolitana de Pernambuco, especialmente em áreas como Boa Viagem, onde a ligação de águas turvas e um canal submarino próximo à costa favorece encontros entre tubarões e banhistas.

Diante de um cenário constantemente estudado, especialistas e moradores cobram medidas mais efetivas de prevenção. Entre as ações defendidas estão o fortalecimento do monitoramento das áreas de risco, ampliação da sinalização nas praias, campanhas permanentes de conscientização, fiscalização do cumprimento das restrições para banho e esportes aquáticos e investimentos em pesquisas que permitam prever períodos de maior circulação dos animais.

Também há quem defenda a adoção de tecnologias de monitoramento em tempo real, além de políticas ambientais voltadas para a recuperação de ecossistemas afetados pelas intervenções humanas ao longo da costa.

A discussão ganha força porque, embora os ataques sejam considerados eventos raros, Pernambuco continua concentrando a maior parte dos registros do país. Mais de 30 anos após o aumento dos incidentes, a pergunta permanece: quais medidas concretas serão adotadas para reduzir os riscos e evitar que novos casos continuem sendo registrados?

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