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segunda-feira, 8 de junho de 2026

"Classificação dos EUA sobre PCC e CV expõe duas décadas de inépcia do Brasil", avalia ex-secretário nacional de Segurança Pública

O enquadramento do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos reacendeu o debate sobre a atuação do Estado brasileiro no combate ao crime organizado.

Em entrevista ao programa Passando a Limpo, da Rádio Jornal, o ex-secretário nacional de Segurança Pública, coronel José Vicente, afirmou que a medida adotada pelo governo americano evidencia uma falha histórica das autoridades brasileiras no enfrentamento das facções.

Para o especialista, as ações realizadas até hoje foram fragmentadas e incapazes de enfrentar a dimensão do crime organizado no país.

“Isso é um retrato da inépcia acumulada, essas duas grandes facções cresceram de uma forma impressionante nesses últimos 20 anos”, afirmou.

Fronteiras vulneráveis favoreceram avanço das facções

Durante a entrevista, José Vicente também criticou a falta de controle nas fronteiras brasileira. Segundo ele, a vulnerabilidade das áreas de fronteira permitiu não apenas o fortalecimento de grupos nacionais, mas também a aproximação de organizações criminosas estrangeiras.

“Se não entrassem no Rio de Janeiro todas as drogas, armas e munições, seria muito mais fácil para a polícia cuidar dos problemas de segurança. Mas todos esses produtos vêm das fronteiras e as fronteiras estão desguarnecidas”, afirmou.

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Classificação pode ampliar cooperação internacional

Apesar das críticas ao cenário brasileiro, o ex-secretário avalia que a decisão dos Estados Unidos pode abrir oportunidades para ampliar a cooperação entre órgãos de inteligência e segurança dos dois países.

Ele explicou que a mudança de status das facções pode mobilizar diferentes agências americanas e fortalecer o intercâmbio de informações sobre lavagem de dinheiro, movimentação financeira e atuação internacional dos grupos criminosos.

“O fato é que as áreas técnicas são menos contaminadas pelo embate político. O diálogo entre as polícias corre muito fácil e é muito colaborativo”, afirmou.

Especialista defende estrutura nacional contra o crime organizado

Ao comentar possíveis medidas para enfrentar o avanço das facções, José Vicente defendeu a criação de uma agência nacional voltada exclusivamente ao combate ao crime organizado.

Segundo ele, o órgão poderia coordenar operações, integrar informações de inteligência e produzir um diagnóstico mais preciso sobre a atuação das grandes facções e de grupos associados espalhados pelo país.

“O governo poderia pensar numa estrutura para fazer operações, coordenar inteligência e começar a tirar um raio-x melhor do que nós temos sobre essas grandes facções”, afirmou.