Socialite.activate (elemento, 'Widget');

sábado, 22 de agosto de 2026

Após Datafolha, Lula e Flávio Bolsonaro partem para o ataque e definem novas estratégias

Embora a pesquisa Datafolha divulgada ontem tenha mostrado pouca mudança no cenário entre os líderes da corrida presidencial, Lula e Flávio planejam intensificar a artilharia para explorar pontos sensíveis da campanha adversária. No levantamento, Lula (PT) tem 47%, contra Flávio Bolsonaro (PL), com 43%, no segundo turno.

Agora, Lula vai partir para o ataque, enquanto Flávio aposta em se apresentar ao eleitor e crescer junto à direita não bolsonarista para chegar ao ato de 7 de Setembro em meio a uma onda a favor de sua campanha.

Em outras palavras, a estabilidade indicada pela pesquisa de ontem foi considerada positiva pela equipe de Flávio, uma vez que ele não caiu, apesar dos problemas que sofreu ao longo dos últimos meses. Já a equipe de Lula quer contra-atacar para reverter o clima de pessimismo.

Imagem

A aposta de Lula

Lulinha, Marcola e uma “surra” nas redes fizeram as duas últimas semanas do governo e, consequentemente, da campanha do presidente Lula, entrar em uma onda de pessimismo. Ontem, antes da divulgação do Datafolha, auxiliares de Lula afirmavam que o clima era “ruim” e “tenso”.

A aposta agora para recuperar terreno é partir para o ataque. O plano consiste em tentar “trocar a pauta”: ou seja, sair da onda de notícias negativas e mostrar as incoerências de Flávio Bolsonaro.

A equipe de Lula vai tentar blindar o presidente da crise que atinge seu filho Fábio Luís, conhecido como Lulinha, e um de seus principais auxiliadores, o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana, chamado de Marcola.

Para isso, vai reforçar que Lulinha já abriu o seu sigilo fiscal e que até agora todas as informações noticiadas —frutos de vazamentos ilegais, vão ressaltar— não têm indícios de crime.

Além disso, a campanha vai bater na tecla de que Flávio prometeu apresentar a prestação de contas do filme “Dark Horse” em 30 dias, mas, até hoje —passados mais de cem dias—, o candidato do PL não fez isso e prefere falar em “página virada”.

Na avaliação de um auxiliar de Lula, falar em “virar a página” é a prova de que ele não quer dar explicações sobre os R$ 61 milhões que Daniel Vorcaro destinou ao filme —e que a PF suspeita que possa ter sido usado para bancar as despesas de Eduardo Bolsonaro nos EUA.

Acompanhe o Blog O Povo com a Notícia também nas redes sociais, através do Facebook e Instagram

Lula no meio do público durante evento de lançamento de campanha no domingo passado, em São Bernardo
Lula no meio do público durante evento de lançamento de campanha no domingo passado, em São Bernardo – Foto: Fabíola Perez/UOL

A campanha do PT e o governo também têm reclamado de uma “onda de desinformação”, nas últimas semanas. Essa onda na internet ajudaria a explicar o resultado do Datafolha e o desânimo em parte da equipe.

Um exemplo de desinformação citado envolve a crise da Casas Bahia: uma suposta “quadrilha de perfis fake” estaria espalhando notícias falsas contra o governo Lula e sobre os dados econômicos.

A campanha de Lula também pretende desconstruir Flávio relembrando, além do “Dark Horse”, outros casos antigos, como o suposto esquema de rachadinha na época em que era deputado estadual, a relação de proximidade com o miliciano Adriano da Nóbrega, a loja de chocolates, a compra da mansão e a foto com Sicário, apontado pela PF como o responsável pelo “trabalho sujo” do esquema de Daniel Vorcaro.

A aposta de Flávio

Auxiliares de Flávio Bolsonaro dizem que o ato de 7 de Setembro, previsto para ser realizado na avenida Paulista, em São Paulo, vai servir para mostrar a força do presidenciável junto ao eleitor.

A estabilidade indicada pela Datafolha indica justamente esse caminho de fortalecimento que, segundo a campanha, vai ficar explícito daqui a duas semanas: Lula atingiu o teto de intenção de votos, enquanto Flávio tem espaço para crescer, mudar o clima da eleição e trazer para si a expectativa de vitória.

Essa leitura de cenário considera que o eleitor indeciso e o de direita não bolsonarista vai entender que Flávio tem chances reais de vencer o petista no segundo turno e que isso vai criar uma “onda” a favor dele.

Contra Lula, avaliam, pesa o tema da corrupção na pauta da campanha —e que a equipe de Flávio vai explorar à exaustão. As investigações contra Lulinha e Marcola vão estar no centro dos discursos e das ações para redes sociais.

Imagem

Para o segundo turno, a estratégia de Flávio considera que o crescimento de votos será orgânico: Lula é o único candidato da esquerda e não tem para onde crescer, enquanto o filho de Jair Bolsonaro vai pegar todos os votos da direita quando a disputa afunilar apenas para os dois.

Além disso, a equipe de Flávio entende que os ataques do petista contra ele não estão surtindo efeito. A leitura é que o jogo virou e a “porrada” que estava sendo esperada contra Flávio no início da campanha não veio —pelo contrário, o atingido por denúncias foi Lula com os escândalos de Lulinha e Marcola.

Ainda faltam pouco mais de duas semanas para o ato de 7 de Setembro esperado pelos bolsonaristas — e para a demonstração de força que a campanha pretende projetar. A abertura da campanha, no domingo passado no Rio, no entanto, teve público abaixo do esperado. (Via: UOL)

Flávio Bolsonaro participa de comício em Nova Iguaçu (RJ) na sexta
Flávio Bolsonaro participa de comício em Nova Iguaçu (RJ) na sexta – Foto: Luis Adorno/UOL