Em meio a versões e contradições que surgem diariamente, reconstruir os passos da soldado Júlia Natália Girão Gomes, da Polícia Militar do Ceará (PMCE), torna-se crucial para desvendar o mistério que cerca a morte e carbonização do soldado Raphael Sampaio da Silva.
Até agora, câmeras de segurança refutaram as principais histórias narradas pela policial presa por suspeita de envolvimento no crime.
Enquanto ela sustenta que foi vítima de uma emboscada junto com Raphael, mas que, ao contrário do colega, conseguiu fugir, registros em vídeo mostraram a soldado em uma oficina mecânica horas após a morte presumida do agente de segurança, quando ela supostamente estaria amarrada em um matagal.
Naquela mesma manhã, Júlia e o marido, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, também preso por suspeita de envolvimento no assassinato, ainda foram deixar a filha na escola.
O Diário do Nordeste preparou uma cronologia dos fatos a partir de registros de câmeras de segurança e relatos colhidos na delegacia à frente das investigações.
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Linha do tempo
Segunda-feira (16h): a soldado Júlia iniciou seu plantão no 16º Batalhão da PM, em Messejana, e trabalhou com o soldado Raphael e outros dois policiais na mesma viatura. Segundo o depoimento do marido dela, Antoneudo, a policial disse que aquele seria um serviço extra, mas que talvez precisasse estender o horário do expediente.
Terça-feira (2h): quando o serviço acabou, Júlia pediu uma carona a Raphael para casa. Ela morava no Jangurussu e ele na Aerolândia.
Terça-feira (entre 2h37 e 2h45): o carro de Raphael, um Hyundai i30 prata, foi registrado por fotossensores na região da Messejana.
Terça-feira (4h09): horário presumido da morte de Raphael. Ele foi assassinado ainda fardado.
Terça-feira (4h10): o Corpo de Bombeiros do Ceará (CBMCE) foi acionado por um transeunte que avistou um veículo em chamas na rua Leandro Morais, no Ancuri, em Itaitinga.
Terça-feira (4h16): a Polícia foi acionada para atender uma ocorrência de achado de cadáver. No local, a composição encontrou um galão de plástico com odor de combustível e um par de algemas.
Terça-feira (7h38): Júlia e o marido, Antoneudo, foram registrados por câmeras de segurança deixando a filha do casal na escola, justamente no horário em que a PM disse que estaria sendo ameaçada por supostos sequestradores. Nessas imagens, ela já está com outra roupa, um vestido rosa com detalhes vermelhos.
Terça-feira (entre 8h30 e 9h): testemunhas e imagens de câmeras de segurança registram a PM em uma oficina mecânica na rua José Hipólito, em Messejana.
Terça-feira (11h03): sistema da Polícia Rodoviária Federal (PRF) identificou um veículo pertencente à sogra de Júlia transitando em Aquiraz.
Terça-feira (12h01): a Polícia foi informada de que Júlia, que até então era dada como desaparecida, foi encontrada no distrito de Croatá II, em Aquiraz. Ela apareceu saindo de um matagal com cordas amarradas aos braços e pernas, alegando que foi sequestrada após a abordagem ao carro de Raphael.
Terça-feira (14h08): Júlia foi interrogada na delegacia e, orientada pelo seu advogado, permaneceu em silêncio sobre pontos cruciais da ocorrência.
Terça-feira (16h33): Antoneudo, marido de Júlia, compareceu à delegacia para prestar depoimento.
Entenda o caso
Diligências e oitivas ainda são realizadas pelas forças de segurança do Ceará para elucidar as circunstâncias do assassinato do soldado Raphael Sampaio, morto aos 27 anos. Uma possível motivação para o crime seria vingança por traição, mas a Polícia não descarta outras possibilidades.
Júlia e o marido, Antoneudo, foram presos ainda na terça-feira. Ela, por suspeita de envolvimento direto no crime, enquanto ele foi flagrado com armas, documentos falsos e munições em casa. Na quinta-feira (13), a PM teve a prisão preventiva decretada pela Justiça e, contra o esposo, foi decretada prisão temporária.
Na sexta-feira (14), o advogado Walmir Medeiros, que representa a defesa de Júlia, foi detido no Presídio Militar após ceder o celular para a policial. Ele disse que Júlia pegou o aparelho sem autorização dele, em um momento de distração.
Um carro supostamente utilizado no homicídio foi apreendido nesta sexta-feira (14). O veículo foi localizado na Messejana, próximo à Avenida Washington Soares. A Polícia também trabalha com a possibilidade de que Raphael tenha sido morto em outro local antes de ser carbonizado em Itaitinga, na região metropolitana de Fortaleza, onde foi encontrado.
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