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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Eleitor, o dinheiro que Lula distribui aos montes para ganhar as eleições é seu

Por Fabiano Lana, do Estadão – Se o populismo tem deuses, eles devem estar em júbilo, em algum paraíso celeste, pelo que ocorre nestes dias frenéticos no Brasil. Para vencer as eleições, candidatos rasgam seus princípios e apoiam causas que sempre condenaram. Temos, por exemplo, Lula a abandonar um dogma da esquerda, sobre criminalidade, e anunciar apoio à diminuição da maioridade penal, ontem, em pleno Jornal Nacional.

Temos o supostamente liberal Flávio Bolsonaro a corroborar o enrijecimento das leis trabalhistas, pelo fim da escala 6 por 1, na contramão de suas ideias de maior flexibilização. Mas o que deixa os deuses mais felizes são os bilhões e bilhões a serem gastos em promessas. Não convêm, entretanto, para evitar a ira divina, dizer quem irá pagar tudo isso. Porque será você mesmo, o eleitor.

Em se tratando de benefícios oferecidos pelo Estado, a palavra “grátis” é uma distorção. Tudo será pago ou pelo contribuinte, por meio de impostos, ou pelo governo a entrar no cheque especial, por meio de emissão de dívidas – que um dia também serão pagas pelos brasileiros, incluindo as altíssimas taxas de juros. O preço das bondades de Lula, feitas com o seu dinheiro, chegam a R$ 298,4 bilhões apenas para 2026, de acordo com o estudo feito pela Instituição Fiscal Independente, órgão de qualidade técnica ligado ao Senado Federal.

Como o Brasil possui cerca de 158 milhões de eleitores, é possível até criar um lulômetro: o preço das promessas chega a R$ 1.888 anual para cada pessoa apta a estar nas urnas no próximo dia 25 de outubro. É o valor para bancar ações anunciadas nas últimas semanas, como o reajuste do programa Bolsa Família, o perdão da dívida dos microempreendedores, o novo Desenrola de renegociação de dívidas das famílias, a desoneração nos combustíveis, os novos recursos para habitação e os créditos voltados para compra de motocicletas e tudo mais.

Este valor do lulômetro precisa ser atualizado a cada dia, pois a IFI aparentemente ainda não inclui nas contas a última promessa de tarifa zero de transporte público nos fins de semana. A medida pode chegar a R$ 16 bilhões, o que nos permite, em conta de padaria, dizer que o custo individual do populismo explícito, neste momento, está em R$ 2.000 por votante brasileiro. Conforme memes que circulam no subterrâneo das redes, que o governo Lula 3, aparentemente tem feito mais no último mês do que nos últimos quatro anos. Nada como um risco de perda de poder para as pessoas se mexerem. Pena que o dinheiro utilizado para isso não é deles.

Lula não está sozinho na promoção da avalanche populista. Flávio Bolsonaro fala em cortes, mas não indica de modo aritmeticamente plausível como implantará suas medidas. O que se pode deduzir sobre isso é que ambos os candidatos partem da suposição de que o brasileiro comum é absolutamente ignorante em questões econômicas e tende achar que dinheiro público sai diretamente da carteira mágica dos tais deuses hipotéticos do populismo, que jogariam recursos mágicos do céu. Como se diz o velho ditado popular: “É fácil fazer cortesia com o chapéu dos outros”.

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