Figura central da Operação Lava Jato, o procurador Deltan Dallagnol
afirmou ao Estadão que a "a Lava Jato não é a solução para os nossos
males". Na entrevista, Dallagnol defende que além da operação, outros
passos no combate à corrupção sejam dados.
"O que a gente fala é que a sociedade vai perceber que a Lava Jato
não é a solução para os nossos males. Ela faz diagnóstico – e diagnóstico não
vai resolver o problema. Existe a ilusão de que pessoas indo pra cadeia resolve
o problema. O que a gente busca fazer é desconstruir essa
ilusão. Mostrando que o que pode contribuir para a redução dos índices de
corrupção são a reforma na justiça criminal, a reforma política e a atuação
sobre outras condições que favorecem a corrupção", defendeu.
Segundo o membro do Ministério Público Federal (MPF), a Lava Jato pode
"até contribuir, de algum modo, mas só a Lava Jato não resolve".
" É um passo, mas a gente precisa de muitos passos. Se não for seguida por
modificações estruturais, tudo vai ficar como era antes. Com o passar do tempo,
é muito provável que nós voltemos à condição original", acredita.
Dallagnol teme que se formas não foram feitas, os políticos se
"autoprotegam". "Se nada for feito de reformas positivas, é
possível, ou até provável, que sejam feitas reformas negativas, seguindo os
passos do que aconteceu na Itália, em que os políticos se autoprotegeram,
concedendo autoanistias. Essa autoanistia não precisa assumir a forma de uma
anistia proclamada, como a que foi tentada [na Câmara] no final do ano passado.
Ela pode ser feita por pequenas mudanças na legislação criminal, ao longo de
dez anos", exemplificou.
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