O patrimônio de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado como “sicário” do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, cresceu de forma acelerada nos últimos anos e entrou no radar de investigadores. Documentos obtidos pela reportagem do Uol mostram que os bens declarados por ele saltaram de R$ 2,9 milhões para R$ 8,4 milhões entre 2019 e 2024, um aumento de 183%.
Apesar da evolução patrimonial, os dados indicam inconsistências. A renda formal de Mourão nunca ultrapassou R$ 660 mil por ano, valor bem abaixo do necessário para sustentar o padrão de vida registrado em declarações fiscais.
Segundo a publicação, entre os bens, aparecem cinco veículos de alto padrão, como um Audi Q8 e uma Range Rover Sport SVR, avaliados em mais de R$ 1,5 milhão. Ele também declarou uma coleção de 12 relógios de luxo, incluindo marcas como Rolex e Patek Philippe, que somam cerca de R$ 3,7 milhões. O item mais caro seria um modelo avaliado em R$ 1,2 milhão.
Além disso, mantinha valores em espécie e em moeda estrangeira, o que também chamou atenção dos investigadores. Parte das aquisições mais recentes foi feita de forma parcelada, com entradas elevadas.
Empresas ligadas a Mourão são outro ponto de suspeita. Uma delas movimentou cerca de R$ 11 milhões em um único ano, mas não registrou faturamento no mesmo período e acabou sendo declarada inativa meses depois. Para autoridades, há indícios de uso dessas estruturas como “contas de passagem”.
Segundo a Polícia Federal do Brasil, Mourão receberia cerca de R$ 1 milhão por mês por serviços prestados ao grupo ligado a Vorcaro, valores que não aparecem nas declarações oficiais.
Ele foi preso em março deste ano, em Belo Horizonte, e morreu horas depois, enquanto estava sob custódia. Mourão era investigado por atuar no vazamento de informações sigilosas e na intimidação de adversários.
As apurações também identificaram a participação dele em um grupo, 'A Turma', que, segundo investigadores, atuava no monitoramento ilegal de jornalistas, autoridades e rivais. O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal, onde o ministro André Mendonça classificou a estrutura como uma “milícia privada”.
O Ministério Público de Minas Gerais também investiga movimentações milionárias em contas vinculadas ao nome de Mourão, em apuração sobre um possível esquema de pirâmide financeira.
A defesa do investigado foi procurada, mas não se manifestou.
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