A deputada federal Erika Hilton acionou, nesta quinta-feira (12), o Ministério das Comunicações para suspender a exibição do Programa do Ratinho, no SBT, por 30 dias. Segundo ela, o apresentador Carlos Massa, conhecido como Ratinho, cometeu um crime ao vivo, durante a exibição do seu programa na última quarta-feira (11).
Segundo o documento protocolado pela parlamentar, ela solicitou que a pasta análise o “eventual abuso no exercício da radiodifusão” por Ratinho, ao cometer o crime contra ela.
“As declarações proferidas pelo apresentador não se limitaram a uma crítica política ou a um debate institucional acerca da atuação da parlamentar, mas consistiram na negação explícita de sua identidade de gênero e na afirmação reiterada de que ela não seria uma mulher. Esse elemento constitui o núcleo da conduta aqui narrada e evidencia o caráter discriminatório do discurso proferido”, diz um trecho do documento.
Na ocasião, o apresentador comentou a notícia de que a deputada seria a presidente da Comissão dos Direitos das Mulheres na Câmara de Deputados. Ele criticou a escolha, devido a parlamentar ser uma mulher trans.
“Não achei muito justo, com tanta mulher, por que vai dar para uma mulher trans? Ela não é mulher, ela é trans. Não tenho nada contra trans, mas se tem outras mulheres. Mulher para ser mulher tem de ser mulher. Eu até respeito todo mundo, comissão de defesa dos direitos da mulher, defendo quem tem comportamento diferente”, disse ele em seu programa.
Ratinho chegou a questionar a capacidade de Erika de comandar a comissão e de compreender os desafios femininos. “Vamos modernizar, ter inclusão, mas não precisa exagerar”.
Nas redes sociais, Erika reagiu às críticas proferidas pelo apresentador afirmando que a declaração dele ofende toda uma comunidade. Ela já havia entrado com uma ação no Ministério Público Federal (MPF), onde pediu uma indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 10 milhões.
“O discurso de Ratinho foi, sim, para me atacar e atacar as pessoas trans. Mas demonstrou a misoginia, o ódio primal que essa figura nojenta tem de toda e qualquer mulher que não siga o roteiro que ele considera certo. E, para ele, mulheres são máquinas de reprodução. Eu quase me surpreendi ao assistir a um raciocínio tão retrógrado”, disse ela.
“Mas aqui fora, no mundo real, ele e o SBT pagarão pelos seus atos, na esfera cível e criminal. E eles não pagarão a mim, mas a todas as mulheres vítimas de violência, trans e cis. Por fim, vale lembrar: eu sou e sempre serei uma mulher. Este apresentador é, e sempre será, um rato.”, concluiu ela.
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