O futebol brasileiro se prepara para uma mudança importante no ritmo das partidas. Um novo pacote de regras aprovado pelo International Football Association Board (IFAB) já está em vigor em jogos da Copa do Mundo de 2026 e deve começar a ser incorporado também nas competições organizadas pela CBF, incluindo o Brasileirão.
As alterações fazem parte de um movimento para reduzir o chamado “antijogo” e aumentar o tempo de bola rolando, uma das metas recentes da Fifa para modernizar o esporte. A Comissão de Arbitragem da CBF já iniciou um plano de adaptação e aguarda apenas a circular oficial da entidade internacional para avançar na implementação.
Regras mais rígidas contra a perda de tempo
O novo conjunto de normas traz mudanças diretas no comportamento de jogadores, árbitros e também no uso do VAR. Entre os principais pontos estão limites de tempo mais claros para reposições e substituições, além de novas possibilidades de intervenção do árbitro de vídeo.
As novas regras trazem alterações diretas na dinâmica das partidas e no uso do VAR:
- Laterais: cobrança deve ser feita em até 5 segundos após início da contagem do árbitro; caso contrário, a posse será revertida.
- Tiros de meta: também devem ser cobrados em até 5 segundos; se o prazo não for respeitado, será marcado escanteio para o adversário.
- Substituições: o jogador substituído terá até 10 segundos para sair de campo após a placa ser erguida; se não cumprir, o substituto só entra após 1 minuto.
- Atendimento médico: atletas atendidos pela equipe médica deverão permanecer fora de campo por pelo menos 1 minuto.
- VAR em escanteios e tiros de meta: árbitro de vídeo poderá intervir em marcações incorretas, sem necessidade de chamada ao monitor.
- VAR em segundo cartão amarelo: o sistema poderá revisar expulsões decorrentes de segundo amarelo em caso de possível erro.
Mudança de impacto imediato no calendário brasileiro
A previsão da Fifa é que as regras passem a valer oficialmente a partir de 1º de julho, respeitando o calendário europeu. No entanto, no Brasil, a adaptação exige ajustes mais complexos, já que campeonatos como o Brasileirão e a Copa do Brasil já estão em andamento ou com regulamentos definidos.
Para o presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Rodrigo Cintra, o pacote representa um avanço, mas também aumenta a responsabilidade da arbitragem em campo. Segundo ele, a prioridade neste momento é capacitar os profissionais.
“Agora teremos tiro de meta, lateral com cinco segundos para bater. A substituição com 10 segundos para ser concluída depois que a placa for levantada. No caso de atendimento médico, o jogador precisará ficar pelo menos um minuto fora. Isso aumenta a responsabilidade do árbitro. O foco é treinar para aplicar tudo com precisão”, afirmou.

CBF prepara fase de adaptação
A entidade já iniciou estudos técnicos e articulação com a Fifa para entender como aplicar as regras em competições que já estão em andamento. O próximo passo será um programa de capacitação para árbitros e assistentes, antes de qualquer comunicação oficial aos clubes.
A expectativa interna é de que a transição seja feita de forma gradual, com ajustes ao longo da temporada, até a padronização completa das novas normas no futebol brasileiro.
